05/11/2016 às 19h48min - Atualizada em 05/11/2016 às 19h48min

Acusado de matar PM em confronto em MT diz que vendia armas na web

Carlos Alberto teve a casa invadida ao ser investigado pelo comércio ilegal. Na ação houve confronto e, além do PM, o irmão do réu foi morto.

Do G1 MT
Reprodução

O comerciante Carlos Alberto Oliveira Junior, de 31 anos, acusado pelo assassinato do policial militar Élcio Ramos, de 29 anos, no Bairro CPA III, em Cuiabá, em agosto, confessou à juíza da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, Maria Aparecida Ferreira Fago, que vendia armas pela internet. Ele foi ouvido na sexta-feira (4) durante audiência de instrução. O irmão do réu, André Luiz, de 27 anos, também foi morto durante a ação da polícia que investigava o acusado pelo comércio ilegal, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp).

Carlos Alberto está preso desde o dia do crime. A primeira versão contada por ele era de que dois policiais tentavam extorqui-lo em sua residência. No novo depoimento, ele disse que os policiais entraram em sua residência e o enforcaram.

“Entrei no portão da minha casa e o policial veio com uma arma e me enforcou. Meu irmão estava no sofá e colocou cabeça para o lado de fora. O outro policial [Wanderson José Saraiva] atirou e meu irmão saiu. Demorou um pouquinho, o Élcio entrou e meu irmão atirou nele”, declarou.
 

De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), apesar de não ter sido o autor dos disparos, o comerciante seria o responsável por imobilizar o outro policial, facilitando para que o seu irmão atirasse contra a vítima. Carlos responde pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio (praticada contra o parceiro de Élcio) e posse ilegal de arma.

Nas próximas semanas, a Justiça deve decidir se o caso vai para júri popular. Enquanto isso, os advogados da defesa tentam a liberdade do réu.

Investigação
No dia do caso, por volta das 14h, os policiais que investigavam o comércio ilegal, teriam marcado encontro com o denunciado próximo ao Terminal do CPA I, fingindo serem pessoas interessadas em comprar a arma.

Conforme o MP, os policiais compareceram ao local em trajes civis e sem nenhum dispositivo que revelasse que ambos eram PMs. No local, foram orientados pelo comerciante a segui-lo, onde a arma objeto da venda estaria guardada. Uma operação teria sido já montada para dar suporte aos dois policiais caso o crime fosse constatado e a prisão em flagrante tivesse de ser realizada.

A denúncia aponta que, ao chegar na casa, o PM Saraiva teria notado uma arma na cintura do suspeito, se recusando a entrar na residência, sendo bruscamente puxado pelo comerciante. Conforme o promotor, nesse momento, ambos os policiais se identificaram e exigiram que Carlos Alberto se rendesse, no entanto, o suspeito teria decidido entrar em luta corporal com o PM Saraiva, tentando, ao mesmo tempo, sacar a arma que portava.

“Nesse momento, André Luiz, irmão de Carlos, levantou rapidamente de um sofá onde estava e sacou de um revólver que tinha a seu lado, e veio em apoio ao irmão, apontando a arma para o policial Élcio e proferindo um disparo preciso, que o atingiu na cabeça”, afirmou o promotor, na denúncia.

André Luiz foi encontrado e preso pela PM na casa de um vizinho, no mesmo dia. Porém, minutos depois ele apareceu morto. Segundo os policiais que participaram da prisão, o jovem estaria armado e teria reagido à prisão. O corpo dele, porém, apresentava marcas de espancamento. À época do crime, o pai do jovem morto disse que havia se rendido quando foi morto.


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