11/11/2016 às 13h57min - Atualizada em 11/11/2016 às 13h57min

Produção de grãos e taxa de câmbio maiores e o efeito Trump

O balanço de oferta e demanda mundial da soja, milho e trigo, publicado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, aumentou a produção e o estoque final das três commodities no ano safra 2016/17 comparativamente a safra anterior.

O segundo levantamento de safra publicado pela CONAB elevou a produção brasileira de verão de grãos e fibras entre 13,9% a 16,2%, ou seja, de 178,6 em 2015/16 para 203,3 a 207,6 milhões de toneladas em 2016/17. A produção de soja aumenta 6,5% a 8,5%, para 101,6 a 103,5 milhões de toneladas; a de milho 24,9% a 27,1%, para 83,1 a 84,6 milhões de toneladas e a de trigo de 5,5 em 2015 para 6,3 milhões de toneladas em 2016. O balanço de oferta e demanda brasileiro para o ano safra 2016/17 também eleva o estoque final dos três produtos.

O quadro exposto sinaliza claramente a impossibilidade de elevações dos preços recebidos pelos produtores, a não ser que ocorra significativa quebra na safra sul-americana, em processo de plantio e desenvolvimento.

Um alento surge com a eleição de Trump nos EUA. Ele sinalizou o aumento do gasto público em infraestrutura e ao mesmo tempo a redução de impostos, visando a criação de 2,5 milhões de empregos. Isto aumenta o consumo e o investimento, ou seja, a demanda agregada. Como a economia americana está operando próxima ao pleno emprego, as duas medidas geram inflação.

O aumento do protecionismo anunciado e a não concretização de vários acordos comerciais em processo de negociação provocam a redução das importações pelos EUA, o que também gera mais inflação.

As medidas propostas na política fiscal e comercial americana criam a perspectiva de elevação mais rápida da taxa básica de juros nos EUA, o que já se refletiu no aumento da taxa de câmbio nos demais países e no Brasil. Somente no dia 10 aumentou pouco mais de 5%, o maior aumento diário dos últimos 8 anos, atingindo o pico de R$ 3,882. Isto favorece a comercialização externa da soja, do milho e dos demais produtos exportados pelo Brasil e encarece o custo da importação do trigo, melhorando as perspectivas de mercado para os produtores.

E a não concretização dos vários acordos comerciais em andamento e a revisão dos estabelecidos abre novamente uma oportunidade perdida para o Brasil, que durante os últimos 15 anos não fez o dever de casa na política comercial externa, negociando acordos bilaterais ou plurilaterais. O recuo dos americanos tende a facilitar as negociações do Brasil com os países da Ásia e da Europa, e inclusive com os sul-americanos da Aliança para o Pacífico.

Por vias tortas parece que Deus continua ajudando Brasil, apesar da pouca contribuição dos próprios brasileiros.


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »