Sintep lembra denúncia de 2021 após suspeitas na compra de material didático

Entidade afirma que denúncias recentes reforçam questionamentos feitos desde 2021 sobre compras na área educacional

Reprodução

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) voltou a cobrar investigação sobre contratos de aquisição de material didático após a Prefeitura de Cuiabá divulgar suspeitas de superfaturamento envolvendo a compra de apostilas e livros para a rede municipal de ensino. As informações foram divulgadas pela administração municipal nesta quarta-feira (27) e apontam um possível prejuízo de R$ 80 milhões aos cofres públicos.

Segundo o sindicato, as novas denúncias reacendem questionamentos apresentados pela entidade desde 2021, quando o então secretário adjunto de Estado de Educação, Amauri Monge Fernandes, atuava na Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT).

À época, o Sintep-MT encaminhou representações ao Ministério Público de Mato Grosso questionando a utilização de recursos da educação para a compra de materiais didáticos de empresas privadas. A entidade alegava que os materiais adquiridos substituíam livros disponibilizados gratuitamente pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do Governo Federal.

De acordo com a secretária de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e dirigente do Sintep-MT, Guelda Andrade, não haveria justificativa para a aquisição de livros de empresas privadas diante da oferta gratuita de materiais pelo programa federal.

A dirigente afirmou que os materiais substitutos apresentariam limitações pedagógicas e problemas de qualidade, além de representar gastos considerados desnecessários para a administração pública.

O sindicato também questiona a permanência de Amauri Monge em cargos de gestão na educação pública. Em nota, a entidade cita investigações envolvendo o ex-gestor e cobra esclarecimentos sobre sua atuação tanto no governo estadual quanto na administração municipal.

Amauri Monge ocupou o cargo de secretário adjunto de Educação do Estado entre 2020 e 2025. Em seguida, assumiu a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá em 2025, deixando a função em abril de 2026.

Na manhã desta quinta-feira (28), durante manifestação na Câmara Municipal de Cuiabá, Amauri Monge negou qualquer irregularidade ou desvio de recursos durante sua gestão.

Para o Sintep-MT, as informações divulgadas recentemente pela Prefeitura de Cuiabá, somadas às denúncias já apresentadas anteriormente pela entidade, podem contribuir para o avanço das apurações pelos órgãos de controle.

Até o momento, não há decisão judicial sobre as acusações citadas pelo sindicato. O caso poderá ser analisado pelos órgãos competentes responsáveis pela fiscalização dos recursos públicos.

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