Mato Grosso precisa de R$ 2,37 bilhões por ano para adequação de estradas vicinais

Estudo da CNA em parceria com a ESALQ/USP aponta 16 microrregiões com alta prioridade de investimento em vias rurais essenciais ao escoamento da produção agropecuária

Reprodução

Um levantamento inédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizado em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e divulgado nesta quarta-feira (8), indica que o Mato Grosso é um dos Estados que mais demandam investimentos em estradas vicinais no país. O estudo estima que o custo anual para adequação e manutenção dessas vias rurais seja de R$ 2,37 bilhões.

Com uma malha total de 137,9 mil quilômetros, sendo 23,6 mil km classificados como estradas terciárias, o Estado ocupa a sexta posição nacional em extensão viária e a quinta em malha rural estruturada. As estradas vicinais têm papel estratégico no escoamento da produção agropecuária, conectando zonas rurais a rodovias federais e estaduais.

O levantamento utilizou o Índice de Priorização de Estradas Vicinais (Ipev), ferramenta desenvolvida para identificar as regiões que necessitam de intervenções mais urgentes. O índice considera fatores econômicos, sociais e ambientais, além do volume de produção agropecuária e das condições da malha.

De acordo com o estudo, 16 microrregiões de Mato Grosso foram classificadas como altamente prioritárias, por apresentarem simultaneamente alto índice de prioridade e alta produção em pelo menos um grupo de produtos. Entre elas estão Parecis, Alto Teles Pires, Canarana, Arinos, Rondonópolis, Primavera do Leste, Sinop, Aripuanã, Paranatinga, Colíder, Tesouro, Tangará da Serra, Alta Floresta, Cuiabá e Alto Araguaia.

Parecis se destaca por concentrar quatro grupos de produtos com alta produção, incluindo soja, milho, cereais e cana-de-açúcar. No Alto Teles Pires, onde estão cidades como Sorriso, Nova Mutum e Nova Ubiratã, o levantamento aponta que seriam necessários R$ 306,7 milhões por ano apenas para recuperação e manutenção das estradas locais. Outras regiões com altos custos de investimento incluem Canarana (R$ 237,1 milhões/ano), Aripuanã (R$ 237,4 milhões/ano) e Cuiabá (R$ 149,3 milhões/ano).

Segundo o relatório, 77% dos recursos estimados seriam destinados à adequação estrutural de trechos em más condições, enquanto os 23% restantes seriam aplicados na manutenção de vias em estado regular.

O documento também alerta que as condições precárias das estradas impactam diretamente o consumo de combustível, aumentam as emissões de gases de efeito estufa e prolongam o tempo de transporte, reduzindo a competitividade do agronegócio brasileiro nos mercados interno e externo.

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