Um homem publicou nas redes sociais, nesse domingo (10), um vídeo em que aparece supostamente bebendo detergente da marca Ypê dentro de um carro enquanto faz gestos obscenos direcionados a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A gravação repercutiu rapidamente e passou a circular em páginas ligadas a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O vídeo faz parte de uma série de publicações divulgadas nos últimos dias após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar o recolhimento e a suspensão de lotes de produtos da Ypê devido ao risco de contaminação microbiológica.
Após a decisão da agência reguladora, usuários alinhados à direita passaram a associar a medida a motivações políticas, citando doações feitas por integrantes da empresa à campanha de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Não há comprovação de relação política na decisão da Anvisa.
Com a repercussão do caso, apoiadores do ex-presidente começaram a publicar vídeos utilizando produtos da marca, incluindo conteúdos em que aparecem esfregando detergente no corpo ou simulando ingestão do produto.
A Anvisa informou que a suspensão dos lotes foi baseada em análises técnicas e em inspeções realizadas em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.
Segundo a agência, foram identificadas falhas nos sistemas de controle de qualidade e nos processos de fabricação, o que poderia comprometer as boas práticas sanitárias e representar risco à saúde dos consumidores.
Entre as preocupações apontadas está a possibilidade de contaminação microbiológica por microrganismos inadequados nos produtos.
Durante evento realizado no domingo (11), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou a politização do episódio e alertou para os riscos da divulgação desse tipo de conteúdo nas redes sociais.
“A Anvisa não tem lado partidário. O único lado que a Anvisa tem é o lado dos brasileiros”, afirmou o ministro.
Padilha também pediu que as pessoas não reproduzam vídeos considerados perigosos e informou que a agência recebeu as gravações que circulam na internet e avalia possíveis medidas jurídicas.
A decisão da Anvisa envolve detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes produzidos na unidade da Química Amparo, no interior de São Paulo. A medida atinge produtos com lotes terminados em número 1.
Na última sexta-feira (8), a Ypê conseguiu suspender temporariamente na Justiça a decisão da Anvisa até nova manifestação da agência reguladora.
Mesmo após a decisão judicial, a Anvisa recomendou que consumidores evitem utilizar os produtos envolvidos até a conclusão das análises técnicas.


