O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumulou alta de 12,56% em janeiro, registrando o maior ganho mensal desde o início da pandemia de coronavírus. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, o desempenho só fica atrás das altas de março de 2016 (16,97%) e novembro de 2020 (15,9%), considerando dados desde 2010.
O resultado foi impulsionado principalmente pela entrada de investidores estrangeiros, que injetaram até o dia 28 de janeiro R$ 23,2 bilhões no país, quase alcançando o volume total de 2025. Entre os setores que mais se valorizaram estão commodities, bancos, saneamento e materiais básicos.
Segundo especialistas, o movimento reflete a diversificação global de carteiras diante de incertezas nos mercados internacionais, como tensões comerciais e políticas nos Estados Unidos e Europa, além da desvalorização dos títulos do Tesouro americano e cortes de juros do Federal Reserve.
O EWZ, fundo de índice que replica o desempenho da Bolsa brasileira em Nova York, também teve forte demanda, com 26 milhões de novas cotas criadas, segundo Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos.
Outro fator que favoreceu o desempenho do Ibovespa foi a queda do dólar, que encerrou janeiro em baixa de 4%, atingindo R$ 5,196 na quinta-feira (29), menor cotação desde maio de 2024. A combinação de valorização do índice, fluxo estrangeiro e câmbio favorável criou um cenário considerado incomum para janeiro, historicamente mais volátil.
Em comparação, altas de março de 2016 e novembro de 2020 tiveram fundamentos internos: o impeachment de Dilma Rousseff e o anúncio das primeiras vacinas contra a Covid-19, respectivamente. Já o resultado de janeiro de 2026 foi puxado por fatores internacionais e pelo interesse renovado de investidores estrangeiros nos ativos brasileiros.




