JP Morgan vê compra da FS pela Amaggi como arriscada

Banco rebaixou recomendação após operação de US$ 815 milhões

Reprodução

A aquisição de 40% da FS pela Amaggi foi classificada pelo JP Morgan como uma operação “estrategicamente acertada, mas financeiramente esticada”. A avaliação levou o banco a rebaixar a recomendação dos títulos de dívida da companhia de “neutro” para “underweight”, abaixo da média de mercado.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, os analistas detalharam os valores envolvidos na transação, que ainda não foram oficialmente confirmados pelas empresas. Segundo o documento, a participação adquirida pela Amaggi está estimada em US$ 815 milhões, incluindo uma tranche primária de US$ 100 milhões.

O valor restante, de US$ 715 milhões, deverá ser pago aos atuais acionistas da FS em três parcelas com vencimento até 2028.

Na avaliação do banco, o tamanho da operação gera preocupação diante da estrutura financeira atual da companhia. O relatório aponta que o montante representa uma pressão relevante frente ao Ebitda estimado da Amaggi, projetado em US$ 542 milhões para 2025, além de uma dívida bruta de US$ 3 bilhões e caixa de US$ 870 milhões registrados no último exercício.

“O preço é elevado em relação ao balanço patrimonial da Amaggi, e a capacidade de a empresa cumprir com as parcelas futuras vai depender muito de condições operacionais favoráveis”, afirmaram os analistas.

Apesar disso, o JP Morgan considera o múltiplo da transação “razoável”, com EV/Ebitda estimado entre 5,5x e 6,2x, dependendo da metodologia aplicada ao cálculo da dívida da FS. O banco observa ainda que o etanol de milho possui custos operacionais menores e margens superiores em comparação a outros segmentos do setor.

O relatório destaca que a principal preocupação está concentrada no cronograma de pagamentos entre 2027 e 2028, período em que as parcelas da aquisição coincidem com o vencimento de US$ 750 milhões em bonds emitidos pela companhia.

Segundo o banco, a Amaggi deverá desembolsar US$ 300 milhões já na conclusão da operação, utilizando créditos fiscais e parte de uma nova linha de crédito de US$ 700 milhões contratada junto ao Bradesco.

A empresa também prevê a venda de aproximadamente US$ 200 milhões em ativos imobiliários nos próximos 12 meses para reforçar a liquidez.

O JP Morgan alertou que, caso o fluxo de caixa livre não seja suficiente para cobrir os compromissos futuros, a companhia poderá recorrer a novas dívidas, ampliando a alavancagem financeira.

Atualmente, a alavancagem da Amaggi está em 2,8 vezes, próxima do limite interno de 3 vezes definido pela política financeira da empresa.

Outro ponto citado no relatório é que a Amaggi não terá controle direto sobre os fluxos de caixa da FS, já que a participação adquirida não garante controle operacional da companhia. Dessa forma, eventuais retornos dependerão da distribuição de dividendos.

“Embora a empresa continue sendo uma operadora sólida e a administração tenha demonstrado uma política financeira mais conservadora no passado, a transação com a FS parece mais agressiva e adiciona uma camada de complexidade financeira a um perfil de crédito já fragilizado”, avaliou o banco.

O movimento ocorre após alertas recentes de agências de classificação de risco. A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da Amaggi e colocou a perspectiva em revisão negativa. Já a Moody’s também colocou a classificação da companhia sob revisão, citando preocupações com a alavancagem e o refinanciamento de títulos com vencimento em 2028.

Apesar das ressalvas, o JP Morgan reconhece que a operação fortalece a estratégia de longo prazo da Amaggi no mercado de etanol de milho, embora aumente significativamente a pressão financeira sobre a companhia.

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