El Niño pode elevar temperaturas a 43°C e causar tempestades em MT

Fenômeno climático previsto para o fim de 2026 pode atingir Mato Grosso com maior intensidade, segundo meteorologista

Reprodução

As primeiras previsões meteorológicas para o fenômeno El Niño em 2026 indicam calor intenso, com temperaturas que podem chegar aos 43°C no Centro-Oeste, além de tempestades mais fortes entre agosto e dezembro. Em Mato Grosso, há possibilidade de o fenômeno atingir o estado de forma mais severa, com temperaturas pelo menos dois graus acima da média.

As informações foram divulgadas com base em dados do Centro de Previsão Climática da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), publicados em março. Segundo a meteorologista Ana Paula Paes, consultora da Energisa Mato Grosso, o cenário aponta para um evento classificado como forte ou muito forte.

De acordo com a especialista, o El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na região da linha do Equador. Esse aquecimento provoca alterações na atmosfera e interfere nos padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.

“Esse aquecimento reflete na atmosfera depois de um tempo que ele se formou lá no Pacífico, em torno de três meses aproximadamente. E aí a gente começa a perceber a influência dele com o aumento de temperatura e variações no padrão de chuvas”, explicou.

Segundo Ana Paula, o período mais crítico deve ocorrer entre o final de 2026 e o primeiro trimestre de 2027.

“Tudo indica que o período mais crítico deve ser entre o final de 2026 e o início de 2027”, afirmou.

A meteorologista destacou ainda que, em Mato Grosso, os efeitos costumam ser mais intensos durante eventos fortes de El Niño, com ondas de calor e tempestades severas.

Em anos anteriores com fenômeno semelhante, as temperaturas ficaram até cinco graus acima da média em regiões tradicionalmente quentes. Conforme a previsão, cidades do Centro-Oeste podem registrar temperaturas entre 40°C e 43°C, principalmente entre setembro e outubro.

Além dos impactos climáticos, o calor extremo pode afetar o consumo e o custo da energia elétrica. Segundo Anderson Rodrigues, gerente de construção e manutenção da Energisa Mato Grosso, o uso mais frequente de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado tende a elevar o consumo de energia.

Outro fator que pode influenciar a conta de luz é a redução dos níveis dos reservatórios usados na geração hidrelétrica. Nesses casos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pode alterar a bandeira tarifária, resultando em cobranças adicionais.

“Sempre que há mudanças de bandeiras, isso decorre da análise dos reservatórios de água. Se houver escassez, há sim cobrança adicional”, explicou.

As altas temperaturas também aumentam os riscos de danos na rede elétrica e de queimadas próximas ao sistema de distribuição. Segundo a concessionária, tecnologias de monitoramento e equipamentos de varredura da rede estão sendo utilizados para reduzir os impactos durante o período do fenômeno.

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