O narcotraficante Gerson Palermo, de 68 anos, foi preso nesta terça-feira (26) na região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após permanecer seis anos foragido da Justiça brasileira. A captura foi realizada pela polícia boliviana especializada no combate ao narcotráfico, com apoio da Polícia Federal do Brasil.
A prisão ocorreu dias após o caso voltar aos noticiários nacionais em uma reportagem exibida pelo Fantástico, que relembrou a fuga do criminoso em 2020, após obter o benefício da prisão domiciliar.
Segundo as investigações, Palermo possui histórico ligado ao tráfico de drogas e assaltos a bancos. Ele ganhou notoriedade nacional ao participar do sequestro de um avião da Vasp, em 2000.
De acordo com a polícia, ele foi apontado como o responsável pelo plano que desviou a aeronave da rota para a cidade de Porecatu, no Paraná, com o objetivo de roubar R$ 5,5 milhões em malotes bancários.
Pelos crimes, Gerson Palermo foi condenado a 59 anos de prisão. Somada a uma condenação anterior por tráfico de drogas, a pena total chegou a 126 anos.
O criminoso cumpria pena até abril de 2020, quando conseguiu autorização para prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Menos de cinco horas após deixar a unidade prisional, rompeu o equipamento de monitoramento e fugiu.
Desde então, Palermo era considerado foragido e passou a integrar o Programa Captura, lista que reúne alguns dos criminosos mais procurados do país.
Conforme apurado, as autoridades brasileiras e bolivianas realizam diligências para efetivar a expulsão do narcotraficante da Bolívia e transferi-lo para o Brasil.
Soltura gerou investigação
A concessão da prisão domiciliar ocorreu durante a pandemia de coronavírus, período em que presos idosos e com comorbidades passaram a receber autorização para cumprir pena em casa. Segundo as investigações, Gerson Palermo não se enquadrava nos critérios estabelecidos.
Mesmo assim, a defesa apresentou pedido e o benefício foi concedido durante um plantão do feriado de Tiradentes pelo então desembargador Divoncir Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
O caso ganhou repercussão nacional após a fuga do criminoso.
Em abril de 2024, Divoncir Maran se tornou alvo de investigação da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido propina para conceder o habeas corpus. Entre as provas reunidas pela investigação estavam conversas que indicariam que o magistrado tinha conhecimento prévio do pedido antes mesmo de ele ser protocolado oficialmente no tribunal.
Diante dos indícios apontados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aplicou ao desembargador a pena de aposentadoria compulsória.


