Policial federal é investigado por intimidar alunos da UFMT

Estudantes denunciaram abordagem após caso de suposta lista ofensiva contra universitárias vir à tona

Reprodução

Um policial federal passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher por suspeita de intimidar estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, envolvidos em denúncias sobre uma suposta lista com classificações ofensivas contra alunas da instituição.

Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, o homem foi até a universidade na última semana se apresentando como pai de um estudante do curso de Engenharia Civil. Conforme relatos recebidos pela investigação, ele teria abordado e intimidado alunos ligados às denúncias do caso.

O suspeito já foi identificado e intimado para prestar esclarecimentos, mas ainda não compareceu à delegacia.

Antes da ida ao campus, o policial federal registrou um boletim de ocorrência alegando que o filho estaria sofrendo ameaças de outros estudantes. Segundo o relato apresentado às autoridades, essa teria sido a motivação da visita à universidade.

Imagens do sistema de segurança da UFMT mostram o homem circulando pelos corredores da instituição usando mochila, boné preto e portando um objeto preso à cintura semelhante a uma pasta.

A delegada Liliane Diogo informou que recebeu os documentos encaminhados pela universidade e instaurou procedimento investigativo para apurar os fatos.

Entenda o caso

O episódio ganhou repercussão após estudantes denunciarem, em redes sociais e grupos de mensagens, a existência de conversas envolvendo um suposto “ranking” que classificava universitárias da UFMT.

Segundo os relatos, o conteúdo teria sido compartilhado entre alunos e incluía referências à violência sexual contra estudantes.

Após a repercussão, um aluno do curso de Direito foi afastado preventivamente das atividades acadêmicas por suspeita de envolvimento na criação da lista.

O caso provocou protestos dentro da universidade e mobilizou estudantes, familiares e entidades acadêmicas.

O Ministério Público de Mato Grosso instaurou procedimento administrativo para acompanhar o caso e determinou que a UFMT apresente, em até cinco dias, as medidas internas adotadas diante das denúncias.

O órgão também solicitou que o Centro Acadêmico de Direito (CADI) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) encaminhem documentos e provas relacionados ao episódio.

Segundo a universidade, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, acompanhou os estudantes até a delegacia após os relatos de intimidação.

Em razão da situação, o curso segue com aulas remotas por tempo indeterminado.

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