Pivetta reconhece déficit de 60% em armazenagem de grãos, mas descarta aporte do Estado

Governador de Mato Grosso afirma que o poder público não dispõe de recursos para o setor e aponta que solução para o problema levará cerca de dez anos.

Mayke Toscano/Secom-MT

O governador Otaviano Pivetta reconheceu que Mato Grosso enfrenta um déficit de aproximadamente 60% na capacidade de armazenagem para a produção agrícola. O problema foi exposto após a Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) solicitar apoio governamental para medidas emergenciais no setor.

De acordo com o governador, a produção de grãos no estado dobrou na última década, saltando de 50 milhões para 100 milhões de toneladas, o que gerou uma sobrecarga na infraestrutura logística. Apesar da demanda, Pivetta afirmou que o Estado não tem como arcar com os investimentos necessários para a construção de armazéns.

“Não tem como o Estado interferir nisso. Nós não temos recursos pra isso”, declarou à imprensa.

Alternativas e prazo

Para lidar com a falta de espaço, os produtores têm recorrido ao transporte direto em caminhões ou ao armazenamento a céu aberto durante o período de seca. Pivetta estima que o problema de infraestrutura deva ser solucionado em um prazo de dez anos, período em que o mercado deve se adaptar à nova realidade produtiva.

O governador ressaltou que, nos últimos anos, a gestão estadual focou na pavimentação e recuperação de estradas para o escoamento da safra até os portos, o que impulsionou o crescimento da produção.

Como alternativa de financiamento, o chefe do Executivo citou as linhas de crédito de instituições como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Ele destacou que, caso haja demanda por parte de pequenos produtores, o Estado poderá avaliar a participação por meio da MTPar. Para os grandes produtores, no entanto, a avaliação é de que o próprio setor tem capacidade de buscar soluções financeiras.

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