Mato Grosso está em alerta sanitário devido ao aumento expressivo de casos de malária em 2025, principalmente na região Noroeste. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) mostram que, de janeiro a setembro, o estado contabilizou 553 casos em 23 municípios. Desse total, mais de 90% das infecções foram contraídas dentro do próprio território mato-grossense (casos autóctones).
A crise se concentra em Aripuanã, com 141 casos, e Colniza, com 67, somando mais da metade dos registros estaduais. Outros municípios com números elevados incluem Pontes e Lacerda (87), Vila Bela da Santíssima Trindade (43) e Rondolândia (29).
Um dos fatores que contribuem para o cenário é o deslocamento de garimpeiros ilegais após operações de desintrusão na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda. A dispersão desses trabalhadores, que muitas vezes vivem em condições precárias, favorece a proliferação do mosquito Anopheles darlingi, vetor da malária, e tem influenciado diretamente na cadeia de transmissão.
Em nota técnica, a SES-MT manifestou preocupação com o risco de a malária se expandir para outras cidades e fez um apelo para a mobilização imediata dos gestores municipais.
Para conter a doença, a Secretaria recomendou uma série de ações emergenciais: realizar buscas ativas de casos em áreas de risco como garimpos e acampamentos; oferecer testes rápidos e tratamento imediato a todos os diagnosticados; intensificar o controle vetorial para combater o mosquito transmissor; e garantir o estoque de insumos e medicamentos nas unidades de saúde.
A SES-MT reforçou que a cooperação entre as prefeituras, as comunidades e os órgãos de saúde é essencial para quebrar a cadeia de transmissão e evitar que o quadro se transforme em uma crise sanitária de grandes proporções.


