O produtor rural Thiago Boava (PL), viúvo da ex-deputada federal Amália Barros, é apontado como um dos principais articuladores do posicionamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de caminhar com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) nas eleições de 2026 em Mato Grosso.
Boava, que é pré-candidato a deputado federal e tem forte influência na direita (com 423 mil seguidores em apenas um perfil do Instagram), confirmou que sempre repassa suas impressões da conjuntura estadual ao ex-presidente.
Apoio a Pivetta e Projeto Senado
Em conversa com a Gazeta, Boava rejeitou que sua opinião tenha sido crucial para a decisão de preterir o senador Wellington Fagundes (PL), que também deseja disputar o Governo do Estado. Ele frisou que a decisão de Bolsonaro é pautada por um cenário mais amplo:
“Como estou sempre próximo a Bolsonaro, ele sempre me pergunta como anda o nosso Estado e como está a política. E eu dou minha opinião, do que vejo na população e dentro do PL. Mas ele também ouve a bancada federal, os prefeitos do partido. Então não fui eu que o convenci a algo. Ele tem suas convicções”, disse.
No entanto, Boava afirmou que, no entendimento de Bolsonaro, a escolha de apoiar Pivetta visa um objetivo único: eleger o deputado federal José Medeiros (PL) ao Senado.
“O [ex] presidente Bolsonaro tem dito que nos estados em que o governador será candidato ao Senado o melhor é se aliar para fortalecer a candidatura do partido ao Senado. E como Mauro Mendes está bem avaliado, e já declarou apoio ao Otaviano Pivetta, então o melhor seria caminhar junto do que disputar em outra chapa”, explicou.
Fuga de Divisão e Elogios ao Vice-Governador
O herdeiro político de Amália Barros afirmou que a decisão de Bolsonaro também levou em consideração uma possível divisão partidária caso Fagundes saia candidato ao governo, já que a maioria dos prefeitos do PL em Mato Grosso já manifestou o desejo de apoiar Pivetta.
“Nesse quadro, e com o governador Mauro Mendes bem avaliado, com obras entregues em vários municípios, com o interior inteiro aprovando sua gestão, ficaria difícil concorrer com ele. E o Medeiros na chapa com ele, também se beneficia. E o Bolsonaro tem a única missão de eleger o Medeiros,” completou.
Boava ainda elogiou o vice-governador, destacando seu perfil pragmático e a lealdade demonstrada após a morte de Amália Barros.
“Conhecemos o Pivetta na campanha da Amália, e ele gostou da gente e a gente gostou dele. Ele ajudou a Amália, e mesmo depois que ela se foi, ele me chamou e prometeu que executaria todas as emendas da Amália do jeito que ela queria, e fez isso sem pedir nada em troca”, finalizou.
Thiago Boava tem ligações diretas também com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que era amiga pessoal de Amália Barros.




