O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), se reuniu nesta segunda-feira (3) com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para prestar esclarecimentos sobre a megaoperação policial realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão. A ação, chamada de “Operação Contenção”, resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais.
O encontro foi motivado por questionamentos feitos pelo ministro sobre a letalidade e o planejamento da operação.
A Justificativa do Governo
Em resposta a Moraes, o governador defendeu que a atuação das forças policiais foi proporcional à ameaça. Castro classificou o confronto não como uma operação comum, mas sim como um “enfrentamento a organização criminosa altamente estruturada” e a chamou de “organização narcoterrorista”.
- Necessidade: O governador argumentou que a ação foi indispensável para conter o avanço do Comando Vermelho (CV).
- Proporcionalidade da Força: Castro afirmou que o uso da força se limitou ao armamento padrão (fuzis semiautomáticos, pistolas e blindados), sendo compatível com o poder de fogo dos criminosos, que teriam usado fuzis militares, calibres .50 e .30, granadas e drones.
- Vítimas: O governador ressaltou que, com exceção dos quatro agentes de segurança mortos, “não há notícias de óbitos referentes a indivíduos não pertencentes à organização narcoterrorista”, o que, em sua visão, indica que a atuação policial se concentrou exclusivamente sobre o grupo criminoso.
Preservação da População e Apuração
Castro destacou que houve preocupação em preservar a população civil, concentrando os confrontos em áreas de mata e longe de escolas e residências.
Sobre a investigação de possíveis irregularidades, o governador reconheceu dificuldades na perícia técnica devido à remoção de corpos por terceiros antes da chegada dos peritos. No entanto, garantiu que foi aberto um inquérito na 22ª Delegacia de Polícia da Penha para apurar eventual crime de fraude processual, reforçando o compromisso do governo com a responsabilização.




