MP aponta ‘loucura’ em terceirização e exige explicações da Prefeitura de Cáceres

Gastos com contratos terceirizados na cidade de MT cresceram mais de 700% em 4 anos, saltando de R$ 4,9 milhões para R$ 36 milhões. Promotoria cobra fiscalização e legalidade.

Reprodução

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) enviou uma notificação recomendatória à Prefeitura de Cáceres (216 km de Cuiabá), cobrando providências urgentes sobre uma série de irregularidades na gestão de contratos de terceirização. A intervenção do MP foi motivada por denúncias de atrasos salariais recorrentes e falhas graves na fiscalização.

O ponto que mais chamou a atenção foi o crescimento estratosférico nos gastos com terceirização:

  • 2020: R$ 4,9 milhões
  • 2024: Cerca de R$ 36 milhões

Isso representa um aumento superior a 700% em quatro anos, um crescimento que, segundo o MP, ocorreu sem justificativa técnica clara e sem o devido fortalecimento dos mecanismos de controle interno.

Falhas e Indícios de Ilegalidade

O promotor de Justiça Saulo Pires de Andrade Martins afirmou que os fatos “revelam um quadro amplo e consistente de possíveis irregularidades administrativas, fiscais, licitatórias e trabalhistas”.

A Promotoria identificou indícios de:

  • Terceirização de Atividades-Fim: Incluindo professores e técnicos de enfermagem.
  • Mascaramento de Despesas: Suspeita de que os gastos estariam sendo usados para maquiar despesas de pessoal.
  • Fiscalização Inexistente: Ausência de fiscais designados e de comprovação de obrigações trabalhistas e previdenciárias como condição para pagamento.
  • Repetição de Fornecedores: Indícios de que os mesmos fornecedores são sistematicamente contratados sem comprovação de economicidade.

“O Ministério Público não pode se omitir diante de um cenário que compromete a transparência fiscal, a dignidade dos trabalhadores e a boa administração pública”, destacou o promotor.

A Prefeitura de Cáceres tem o prazo de 20 dias para informar ao MP as providências que serão adotadas. A falta de resposta pode resultar em medidas legais mais severas.

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