Maior liderança indígena do Brasil, cacique Raoni, protesta por não discursar na COP

Líder Kayapó discursou em espaço alternativo à Zona Azul da conferência após não ser incluído em fala oficial do governo brasileiro

'Era para ser o grande evento do Raoni aqui na COP como o maior líder dos povos indígenas', lamenta coordenadora do Instituto Raoni Foto: EPA / BBC News Brasil

O cacique Raoni Metuktire, uma das principais lideranças indígenas do Brasil, participou no sábado (15) de um evento na Zona Azul da COP30 — 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática — em Belém. O espaço reuniu cerca de 60 pessoas e foi organizado pelo Instituto Raoni, por jovens ativistas e com apoio da delegação do Panamá.

Segundo a equipe do Instituto Raoni, o líder Mebêngôkre não foi convidado para uma fala oficial na conferência, nem pela presidência da COP, coordenada pelo Brasil, nem pelo governo federal. “A gente se sentiu frustrada com essa falta de diálogo. Ele deveria ter feito uma fala de abertura ou de encerramento e não tem nada programado”, afirmou Mayalu Kokometi Waura Txucarramãe, coordenadora do instituto.

O evento alternativo permitiu que Raoni se posicionasse sobre questões indígenas e ambientais. Em seu discurso, o cacique destacou a importância de garantir que os recursos destinados aos povos indígenas cheguem de fato a eles e pediu apoio para proteger as terras indígenas. “Esse dinheiro tem que ser mandado para nós, para que a gente possa, além de fazer o nosso trabalho, proteger também nossas terras”, disse.

Raoni esteve acompanhado da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, que participou de reuniões fechadas com autoridades brasileiras e internacionais. A entrada do líder na Zona Azul foi garantida pela área de autoridades da conferência, com escolta da Polícia da ONU e acompanhamento da equipe do MPI.

O Ministério dos Povos Indígenas afirmou que credenciou 360 indígenas para participar da Zona Azul como parte da delegação brasileira, por meio da iniciativa COParente, e que buscou garantir maior participação indígena na conferência. A pasta destacou ainda que o cacique Raoni entrou na conferência com escolta e apoio durante suas reuniões.

Durante o evento, mulheres Kayapó entoaram cantos tradicionais, liderados por Megaron Txucarramãe, futuro sucessor de Raoni. A participação do líder contrasta com sua atuação em janeiro de 2023, quando foi recebido no Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a continuidade de sua luta pelos direitos dos povos indígenas.

Raoni retorna ao Mato Grosso na segunda-feira (17), após sua participação na COP30.

Receba as notícias mais relevantes do estado de MT e da sua região, direto no seu WhatsApp. Participe da Comunidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE

Em Destaque

PUBLICIDADE

Leia mais