Polícia Civil mira grupo do RS suspeito de ‘sextorsão’ contra vítimas em MT

Operação Falso Contato cumpre 32 mandados judiciais e busca desarticular quadrilha que usava perfis falsos e ameaças de prisão por pedofilia para extorquir.

Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (18), a Operação Falso Contato com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado em crimes de extorsão pela internet. As ações ocorreram no estado do Rio Grande do Sul, onde foram cumpridos 32 mandados judiciais.

O grupo é suspeito de aplicar o golpe conhecido como “sextorsão” contra vítimas em Mato Grosso.

A Operação e os Mandados

No total, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão domiciliar e medidas diversas da prisão, como o afastamento do sigilo de telefones investigados. As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo 4.0 de Garantias de Cuiabá e estão sendo cumpridas em Porto Alegre e mais cinco cidades da região metropolitana do Rio Grande do Sul.

O principal foco da operação é apreender dispositivos eletrônicos, como smartphones, tablets e notebooks, usados na produção, armazenamento e comunicação dos criminosos.

Como funcionava o golpe

A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), identificou 16 integrantes do grupo, alguns com forte ligação à Penitenciária Estadual de Charqueadas (RS).

O esquema de extorsão começava quando os criminosos entravam em contato com as vítimas, principalmente pelo Instagram, usando o perfil falso de uma suposta adolescente em busca de orientação profissional.

  1. A conversa era migrada para o aplicativo WhatsApp.

  2. Após conseguir uma foto do rosto da vítima, o grupo criava montagens falsas de vídeos ou fotos íntimas.

  3. Em seguida, um segundo suspeito entrava em contato, se passando por um “policial civil” ou “pai da adolescente”.

  4. O falso contato alegava que a vítima teria trocado imagens íntimas com uma menor, criando uma ameaça de prisão por pedofilia e exposição pública.

Pagamentos e Ameaças

A extorsão se consumava com a exigência de pagamentos que, em um dos casos em Mato Grosso, chegou a R$ 100 mil, sob o pretexto de “acordos” ou “multas” para evitar a investigação. Para aumentar a pressão, os suspeitos escalavam as ameaças, chegando a afirmar serem membros de facções criminosas.

Investigação de quase dois anos

O delegado Guilherme Campomar da Rocha, responsável pelas investigações, explicou que o trabalho se estendeu por quase dois anos e permitiu mapear uma rede interestadual. Ele afirmou que foi identificado um elo entre todos os 16 suspeitos, sendo eles reeducandos e ex-reeducandos da Penitenciária Estadual de Charqueadas (RS), além de familiares.

“O crime cibernético não é sem rosto; ele deixa rastros, e a Polícia Civil de Mato Grosso já provou que tem a capacidade técnica para identificá-los e responsabilizá-los”, disse o delegado.

O delegado titular da DRCI, Guilherme Fachinelli, destacou que a Operação Falso Contato é uma resposta dura a quem busca vítimas em Mato Grosso, mesmo que de forma virtual.

A operação teve o apoio da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor) de Mato Grosso e do Departamento Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCCP) do Rio Grande do Sul.

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