MPF afirma que BRB tentou comprar Banco Master para encobrir fraudes milionárias

Representação detalha uso de documentos falsos e empresas de laranja em operações que somam R$ 12,2 bilhões; presidente do BRB está afastado

Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou em representação enviada à Justiça Federal que a tentativa do Banco Regional de Brasília (BRB) de comprar o Banco Master não se tratou de uma ação de apoio à instituição privada, mas sim de uma manobra para “ocultar crimes graves contra o sistema financeiro nacional e o patrimônio público do Distrito Federal”.

A acusação, detalhada em 102 páginas pelo procurador Gabriel Pimenta Alves, sustenta que o BRB realizou aportes ilegais no Master desde 2024 e utilizou documentos falsos enviados ao Banco Central (BC) para validar as operações. Entre os casos apontados, uma empresa registrada em nome de uma funcionária de lanchonete na periferia de São Paulo foi apresentada como garantidora de uma operação bilionária.

Segundo o MPF, a pequena amostra analisada pelo BC em dezembro de 2024 mostrou que o BRB já praticava fraudes semelhantes, com empresas em nome de laranjas e contratos com datas incompatíveis com registros oficiais. “Os indícios de falsidade e fraude nos documentos levados ao Bacen pela diretoria do BRB são veementes”, afirma a representação.

A investigação aponta que o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afastado do cargo pela Justiça, comprou R$ 8 bilhões em carteiras de crédito do Master em 2024, mesmo após a constatação de irregularidades. Além disso, segundo o MPF, os gestores do BRB teriam continuado a transferir recursos ao Master, conscientes das fraudes, configurando dolo e participação nos crimes.

“Mais do que isso: a direção do BRB, mesmo após o conhecimento inequívoco da insubsistência das carteiras cedidas pelo Banco Master, não solicitou a devolução dos valores repassados, demonstrando vínculo subjetivo com os gestores do banco privado”, afirma o MPF.

Em nota, Paulo Henrique Costa afirmou que não retornará à instituição e destacou ter cumprido seu dever. Ele não comentou a Operação Compliance Zero, que investiga os repasses do BRB ao Master.

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