O ano de 2025 foi marcado por desafios adicionais ao agronegócio brasileiro, incluindo a divulgação da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras Presentes no Brasil, que quase inviabilizou diversas cadeias produtivas. O caso que mais chamou atenção foi o da tilápia, um dos peixes mais consumidos no país e com forte potencial de exportação.
A lista também incluía espécies amplamente produzidas e consumidas no Brasil, como tambaqui e pirarucu, ambos nativos da Amazônia. Para o produtor rural e ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera, a classificação expõe uma contradição. Segundo ele, enquanto o Brasil discute restrições, a China se tornou a maior produtora mundial de tambaqui, sem considerar o peixe como espécie invasora.
Cabrera citou ainda o exemplo da produção de tilápias no lago de Itaipu, onde o Paraguai já autorizou a criação do peixe. “De um lado do lago pode produzir normalmente e, do outro, não. Isso gera insegurança para quem investe”, afirmou.
Durante a COP30, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir em 50% as espécies invasoras, mas a possível repercussão sobre cadeias produtivas gerou forte reação. Além da tilápia, culturas como eucalipto, pinus, manga, goiaba e jaca chegaram a ser apontadas como passíveis de classificação na lista.
Diante da pressão de produtores e entidades do setor, a Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) anunciou, no início de dezembro, a suspensão temporária do processo de elaboração da lista. Segundo a comissão, a análise será retomada após a consolidação das contribuições de ministérios, setores produtivos, órgãos ambientais, universidades, povos tradicionais e representantes da agricultura e da indústria.
A decisão foi comemorada por entidades do agro. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que a suspensão representa uma vitória momentânea do setor produtivo e do diálogo institucional.
Apesar disso, a medida não extinguiu a lista, apenas adiou sua retomada, o que mantém o setor em estado de alerta para 2026. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliou que a situação exige maior debate técnico, já que muitas das espécies citadas são domesticadas e possuem manejo consolidado no país.
Em audiência no Senado, o ministro substituto do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que não há definição sobre erradicação da tilápia e que o processo seguirá baseado em estudos científicos e evidências técnicas. Segundo ele, o objetivo é atualizar as listas e discutir medidas para reduzir eventuais impactos ambientais.
O tema também gerou reações no meio político. O ex-ministro Aldo Rebelo, relator do Código Florestal, defendeu que o controle de espécies exóticas seja pautado exclusivamente por critérios técnicos e científicos, sem viés ideológico, e ressaltou a necessidade de políticas permanentes de apoio aos setores produtivos.
Com a suspensão temporária, a produção de tilápia segue garantida no curto prazo. No entanto, produtores, entidades e parlamentares avaliam que o debate deve continuar em 2026, diante da possibilidade de retomada da lista e de novos impactos sobre a competitividade do agronegócio brasileiro.



