Mato Grosso aparece como o terceiro estado brasileiro com o maior número de empresas do agronegócio em recuperação judicial. Dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial mostram que, apenas no quarto trimestre do ano passado, 72 empresas do setor entraram com pedidos na Justiça.
Segundo o levantamento, o agronegócio concentra hoje o maior volume de empresas em recuperação judicial no Brasil. O cenário é atribuído a fatores como juros elevados, aumento dos custos de produção e queda na rentabilidade de algumas commodities, o que tem afetado principalmente empresas ligadas à produção agrícola, armazenagem e fornecimento de insumos.
Em Mato Grosso, os dados indicam um avanço do endividamento rural, em meio à pressão nos preços da soja e a desafios estruturais para manter a rentabilidade. O aumento dos custos logísticos e do frete também pesa sobre o setor, reduzindo a competitividade e a capacidade de negociação dos produtores.
Diante das dificuldades, a recuperação judicial tem sido utilizada como alternativa para reorganização financeira, renegociação de dívidas e manutenção das atividades. O relatório alerta ainda para os impactos do cenário em regiões altamente dependentes do agronegócio, como Mato Grosso, onde o setor é um dos principais motores da economia.
Cenário nacional
Em nível nacional, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio também seguem em alta. Rio Grande do Sul e Goiás lideram o ranking, com 91 e 74 empresas, respectivamente. Mato Grosso do Sul aparece na oitava posição, com 26 empresas em recuperação.
Entre os segmentos mais afetados estão o cultivo de soja, o setor de corte de carne bovina e a produção de algodão. No caso da soja, a combinação de preços pressionados e custos operacionais elevados tem dificultado o equilíbrio financeiro das empresas e impulsionado a busca por proteção judicial.




