Fala de presidente da Câmara contra prefeita gera onda de repúdio de entidades e partidos

Fala considerada ofensiva durante sessão legislativa provoca reações de organizações e levanta debate sobre violência política de gênero

Reprodução

A declaração do presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), durante sessão legislativa, provocou uma série de manifestações de repúdio por parte de entidades e partidos políticos em Mato Grosso. A fala, em que o parlamentar afirmou que o vereador Bruno Rios (PL) “leiteava” a prefeita Flávia Moretti (PL), foi considerada ofensiva, pejorativa e incompatível com o decoro parlamentar.

O Partido dos Trabalhadores (PT) classificou o episódio como inaceitável e criticou o uso de termos considerados machistas e misóginos. Em nota, a sigla afirmou que a conduta é incompatível com a postura exigida de agentes públicos e destacou que, diante dos índices de feminicídio e violência sexual no país, declarações dessa natureza contribuem para a banalização da violência simbólica e verbal contra as mulheres.

A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) também se manifestou, classificando o episódio como desrespeitoso e inadequado. A entidade ressaltou que a postura compromete a imagem do Poder Legislativo e prejudica a relação institucional entre os Poderes, ao violar o decoro parlamentar.

Já a Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica em Mato Grosso (ABMCJ/MT) apontou que a conduta pode se enquadrar na Lei nº 14.192/2021, que trata da violência política contra a mulher. Segundo a associação, a expressão utilizada ultrapassa o campo do debate político e atinge diretamente a honra da prefeita.

A entidade destacou ainda que falas dessa natureza contribuem para o enfraquecimento da participação feminina nos espaços de poder e reforçam estigmas de gênero.

Além das entidades, a organização da sociedade civil Lírios defendeu a responsabilização do parlamentar e o cumprimento das normas que regem a conduta de agentes públicos.

O episódio ocorreu durante discussão de um projeto que prevê a destinação de R$ 6,9 milhões para a saúde municipal. Na ocasião, o presidente da Câmara fazia críticas à formatação da proposta, que, segundo ele, impediria a continuidade da tramitação sem ajustes. Até o momento, não há informação sobre eventual retratação do parlamentar ou abertura de procedimento interno para apurar a conduta.

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