STF investiga suposta simulação de doença por lobista para obter prisão domiciliar

Caso envolve perda drástica de peso de investigado por venda de decisões no STJ; defesa nega irregularidades

Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa suspeitas de que o lobista Andreson Gonçalves de Oliveira teria simulado agravamento do estado de saúde para obter prisão domiciliar. O caso foi encaminhado ao ministro Cristiano Zanin, relator da investigação.

Andreson é apontado como pivô da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de venda e vazamento de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele foi preso por ordem do STF em novembro de 2024.

Em 2025, após apresentar perda significativa de peso, o investigado chegou a obter prisão domiciliar em Primavera do Leste (MT). No entanto, meses depois, retornou à Penitenciária Federal de Brasília por decisão do ministro.

Entre os elementos considerados estão informações da Polícia Penal, que indicam possível estratégia para simular um quadro clínico mais grave. Relatórios enviados ao STF apontam que o preso teria descartado parte das refeições e apresentado sintomas incompatíveis com exames posteriores.

Um laudo médico produzido antes do retorno ao sistema prisional indicou recuperação de 13 quilos em três meses, além da ausência de limitações de mobilidade. O documento também não constatou necessidade recente de uso de equipamentos médicos.

Com base nesses dados, Zanin entendeu que houve tentativa de induzir a concessão de benefício humanitário. O ministro também citou descumprimento de medidas, como a ausência em procedimento para troca de tornozeleira eletrônica.

As apurações também alcançaram outro detento da mesma unidade, investigado por tráfico internacional de drogas, que teria apresentado comportamento semelhante, incluindo perda de peso e alegações de problemas de saúde.

A defesa de Andreson nega qualquer irregularidade e sustenta que o cliente possui doenças diagnosticadas, incluindo neuropatia diabética, que justificariam o quadro clínico. Os advogados afirmam ainda que exames confirmam problemas de saúde, apesar da recuperação parcial.

O caso segue em análise no STF. O ministro determinou que a Polícia Federal apresente relatório final das investigações até o fim de março, incluindo manifestação sobre a manutenção da prisão do lobista.

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