STF forma maioria para limitar “penduricalhos” a 35% do teto salarial

Medida atinge Judiciário e Ministério Público e pode gerar economia de R$ 7,3 bilhões por ano

Reprodução

O Supremo Tribunal Federal formou maioria, nesta quarta-feira (25), para limitar o pagamento de verbas indenizatórias, conhecidas como “penduricalhos”, a 35% do teto constitucional do funcionalismo público.

Pelo entendimento dos ministros, o valor máximo dessas verbas será de R$ 16.228,16, considerando o teto atual de R$ 46.366,19. A medida vale para integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

A proposta foi apresentada em voto conjunto dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, relatores de ações sobre o tema. Eles foram acompanhados por outros ministros, consolidando maioria na Corte.

A decisão estabelece um regime de transição até que o Congresso Nacional edite uma regra definitiva sobre o pagamento dessas verbas.

Segundo Alexandre de Moraes, a medida pode gerar economia de aproximadamente R$ 7,3 bilhões por ano aos cofres públicos.

Os ministros também autorizaram a criação de um adicional por tempo de serviço, chamado de parcela de valorização por antiguidade. O benefício poderá chegar a 35% do teto, com acréscimo de 5% a cada cinco anos.

O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a Corte busca uniformizar regras e aumentar a transparência sobre os pagamentos. Já Gilmar Mendes destacou que o atual modelo apresenta falhas de controle e dificulta a fiscalização dos gastos públicos.

A Corte também determinou que órgãos do Judiciário e do Ministério Público revisem, em prazo definido, os pagamentos realizados acima do teto, informando valores, critérios e base legal.

O julgamento trata de ações que discutem a legalidade de verbas indenizatórias pagas acima do teto constitucional e ocorre em meio à ausência de legislação específica sobre o tema.

Dados apresentados durante a análise indicam que os gastos com essas parcelas chegam a bilhões de reais. Apenas na magistratura, o valor se aproxima de R$ 9,8 bilhões, enquanto no Ministério Público ultrapassa R$ 7 bilhões.

A expectativa é que o julgamento seja concluído sem interrupções, consolidando um novo padrão para a remuneração no serviço público.

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