Prefeita diz que presidente da Câmara só assume se ela morrer em Várzea Grande

Declaração ocorre em meio à crise política após renúncia do vice e troca de acusações com vereador

Reprodução

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou nesta quinta-feira (2) que o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), só assumiria a Prefeitura em caso de sua morte. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa, ao ser questionada sobre o papel do parlamentar na linha sucessória do município.

A situação ocorre após a renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL), eleito na mesma chapa que a gestora. Ele deixou o cargo alegando que Flávia teria se afastado das propostas defendidas durante a campanha e passado a incluir aliados do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) na administração.

Com a vacância do cargo de vice-prefeito, o presidente da Câmara passa a ser o próximo na linha sucessória do Executivo municipal.

Durante a coletiva, a prefeita rejeitou a ideia de que Wanderley Cerqueira exerça qualquer função equivalente à de vice.

“Ele não é vice-prefeito, tanto que não tomou posse como vice. O cargo de vice está vago, e ele não assume nenhuma vice-prefeitura de forma alguma”, afirmou.

Na sequência, completou: “A não ser que eu morra. Meus seguranças vão ter que me segurar mais”.

A relação entre a prefeita e o presidente do Legislativo, que já era considerada desgastada, se agravou após uma declaração de Cerqueira durante discussão no plenário. Na ocasião, ele disse a um vereador da base que deveria parar de “leitear” a prefeita, expressão interpretada como ofensiva e comparando a gestora a animais.

Diante do episódio, o Partido Liberal apresentou pedido de cassação do mandato do presidente da Câmara. Além disso, Flávia Moretti ingressou na Justiça com uma queixa-crime contra o parlamentar por injúria agravada, por se tratar de ofensa dirigida a uma mulher, e também solicitou indenização por danos morais.

Na ação, a prefeita afirmou que, desde o início do mandato, vem enfrentando situações que ultrapassam o campo da divergência política e atingem o nível de ataques pessoais. Segundo ela, a fala de Cerqueira não representou crítica à gestão, mas sim uma manifestação com “linguagem animalizante e humilhante”.

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