Investigação indica que MC Mestrão discutia crimes com facção, diz delegado

Cantor é alvo da Operação Ruptura CPX; investigação indica envolvimento que vai além da atividade artística, segundo delegado

Reprodução

O delegado Antenor Júnior Pimentel Marcondes afirmou que o cantor Odanil Gonçalo Nogueira da Costa, conhecido como MC Mestrão, mantinha conversas com integrantes de uma facção criminosa que atua na região metropolitana de Cuiabá sobre a prática e a logística de crimes violentos.

O artista foi um dos alvos da Operação Ruptura CPX, deflagrada no dia 31 de março pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco). Segundo o delegado, as investigações identificaram diálogos em que o cantor tratava com naturalidade de ações criminosas, incluindo roubos com violência.

De acordo com a apuração, os suspeitos discutiam práticas como amarrar e agredir vítimas, além de tratar da destinação de bens furtados, como veículos e defensivos agrícolas. Também foram identificadas conversas sobre compra, venda e ocultação desses produtos.

O delegado ressaltou que a investigação não tem como objetivo criminalizar a música, mas apontou que, neste caso, houve extrapolação entre manifestação artística e possível promoção de organização criminosa.

“Existe um limite entre a manifestação artística, a apologia e a promoção da facção. Nesse contexto, já se aproximou mais da promoção da facção criminosa”, afirmou.

Além das conversas privadas, o conteúdo musical do artista também entrou no radar da investigação. A música “Tropa do Nortão” foi citada por mencionar lideranças da facção com atuação na região norte do estado.

Outro ponto destacado foi a tentativa do cantor de gravar um videoclipe no Complexo do Alemão, área conhecida pela presença de organizações criminosas armadas.

Para a Polícia Civil, o conjunto de elementos indica que a relação do artista com a facção vai além do campo artístico.

Operação

A Operação Ruptura CPX cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão contra integrantes de uma facção criminosa com atuação na região metropolitana de Cuiabá.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias – Polo de Cuiabá e cumpridas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e em São Paulo.

Segundo a Polícia Civil, o grupo é investigado por crimes como furtos de defensivos agrícolas, roubos de veículos, furto de armas, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, domínio territorial e apologia ao crime.

As investigações também apontaram que a organização possuía divisão de tarefas entre os integrantes, controle de áreas específicas, cobrança de taxas internas e uso de contas bancárias de terceiros para ocultar valores de origem ilícita.

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