Preso desde setembro, o empresário Maurício Camisotti firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal, no qual admite a existência de fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Camisotti é apontado como um dos principais operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto. Ele foi preso na mesma fase que Antonio Carlos Camilo Antunes, outro investigado no caso.
O acordo vinha sendo negociado desde o fim do ano passado e foi encaminhado nesta semana ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela homologação. Há expectativa de que, com a colaboração, o empresário obtenha o benefício de prisão domiciliar.
A delação também deverá ser analisada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), embora a negociação tenha sido conduzida diretamente com a Polícia Federal. Este é o primeiro acordo firmado no âmbito da investigação.
O empresário é investigado por participação em fraudes na arrecadação de valores e por corrupção para viabilizar o esquema. Para formalizar a delação, ele precisou confessar crimes e apresentar provas, incluindo documentos e possíveis indicações de outros envolvidos.
O esquema envolve descontos realizados sem autorização em benefícios previdenciários. Segundo as investigações, entidades e empresas teriam sido utilizadas para desviar recursos e lavar dinheiro.
Uma das entidades sob suspeita é a Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec), que recebeu quase R$ 400 milhões do INSS entre 2023 e 2025. Empresas ligadas a Camisotti teriam recebido transferências dessa associação.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam ainda movimentações consideradas atípicas, incluindo saques milionários em espécie realizados pelo empresário entre 2018 e 2025.
O caso ganhou repercussão nacional após operações conjuntas da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que investigam possíveis irregularidades em descontos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Em desdobramento recente da operação, outras prisões foram decretadas e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE) passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica. Ela nega envolvimento nas irregularidades.




