O ex-governador Blairo Maggi afirmou que vê como “natural” a destituição de Mauro Carvalho da presidência do PRD em Mato Grosso, após articulação conduzida pela direção nacional da sigla.
Segundo Maggi, partidos políticos funcionam de forma centralizada, com decisões concentradas nas lideranças nacionais. “Se tem uma coisa que é uma ditadura, no pé da letra, são os partidos. O presidente do partido é aquele ‘dono’, que toma a decisão que achar melhor para ele, conveniente para ele e para o grupo dominante”, declarou.
Ele acrescentou que intervenções em diretórios estaduais não são incomuns dentro das legendas. “Não me surpreende uma intervenção, por exemplo, num partido político aqui de Mato Grosso, como em qualquer outro lugar”, disse.
Atualmente filiado à Federação União-Progressista, Maggi afirmou estar afastado das articulações partidárias, mas comentou o cenário ao analisar a dinâmica interna das siglas.
Como exemplo, citou o Partido Social Democrático (PSD), presidido por Gilberto Kassab. Segundo ele, decisões sobre candidaturas majoritárias demonstram o poder concentrado nas cúpulas partidárias.
Maggi mencionou o caso envolvendo o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao destacar que, mesmo com articulações prévias de outros nomes dentro da legenda, a definição final partiu da direção nacional. “É ruim, mas é normal”, afirmou.
Desmonte no diretório
No último dia 31, o presidente nacional do PRD, Ovasco Resende, e o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, comunicaram Mauro Carvalho sobre sua saída do comando estadual da sigla.
A decisão teria sido motivada pela ausência de formação de uma chapa competitiva para deputado federal.
Nos bastidores, o partido em Mato Grosso já havia sinalizado apoio ao grupo político ligado ao ex-governador Mauro Mendes, que é apontado como pré-candidato ao Senado.
Após a destituição, filiados e lideranças que estavam no PRD deixaram a legenda e foram redistribuídos em partidos da base governista, como o Republicanos e a Federação União Progressista.




