Peru vai às urnas em meio à instabilidade política e crise de segurança

País pode eleger décimo presidente em dez anos; cenário é marcado por fragmentação, alta rejeição e número recorde de candidatos

Reprodução

O Peru realiza neste domingo (12) mais uma eleição presidencial em meio a um cenário de instabilidade política e crise de segurança. O pleito pode resultar na escolha do décimo presidente em uma década, refletindo a fragilidade institucional do país.

A votação reúne 35 candidatos, número inédito na história peruana, o que impactou inclusive a organização dos debates eleitorais, divididos em grupos ao longo de vários dias.

Entre os nomes mais bem posicionados aparece Keiko Fujimori, que lidera as intenções de voto com 13%, segundo pesquisa da Ipsos. Na sequência estão o comediante Carlos Álvarez, com 9%, e o político Rafael López Aliaga, com 8%. Os três estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

O cenário, no entanto, é marcado pelo alto número de indecisos e votos em branco, o que deve novamente levar a disputa para o segundo turno, previsto para 7 de junho. Keiko, que já disputou três vezes a Presidência, costuma avançar para a etapa final, mas nunca venceu.

Além da eleição presidencial, os eleitores também escolherão representantes para o Congresso. Estão em disputa 130 cadeiras na Câmara e, pela primeira vez em três décadas, 60 vagas no Senado, recriado após reforma aprovada em 2024.

Analistas apontam que o Legislativo concentra grande parte do poder político no país. A Constituição permite a destituição do presidente por “incapacidade moral”, mecanismo que já levou à queda de diversos chefes do Executivo nos últimos anos.

A mais recente mudança ocorreu em fevereiro, quando José María Balcázar assumiu a Presidência após nova crise. Antes dele, outros mandatários tiveram passagens breves pelo cargo, alguns com poucos meses ou até dias de duração.

O país também enfrenta forte insatisfação popular, impulsionada principalmente pela insegurança e pela corrupção. Protestos recentes reuniram milhares de pessoas e resultaram em confrontos com as forças de segurança.

Especialistas avaliam que a fragmentação partidária e a baixa fidelidade política dificultam a formação de maiorias e a implementação de políticas públicas, aprofundando a crise de governabilidade.

Diante desse cenário, a eleição ocorre sob incerteza, com expectativa de continuidade da instabilidade, independentemente de quem vença o pleito.

Receba as notícias mais relevantes do estado de MT e da sua região, direto no seu WhatsApp. Participe da Comunidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE

Em Destaque

PUBLICIDADE

Leia mais