Influenciadora alvo da polícia diz: “Se houver crime, quem vai pagar somos nós”

Ação da Polícia Civil investiga lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar; marido foi preso em flagrante por arma de uso restrito

Reprodução

A influenciadora digital Jéssica Orben Vasconcelos Magalhães, alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Aposta Perdida, deflagrada nesta quinta-feira (23) em Cuiabá e Várzea Grande, afirmou nas redes sociais que pretende se defender na Justiça e não responder a críticas na internet.

Em vídeos publicados após a ação, Jéssica disse que ainda não teve acesso ao processo, que corre em sigilo, e destacou que está sendo investigada. Segundo ela, eventuais esclarecimentos serão feitos no âmbito judicial. “A polícia veio aqui e fez busca e apreensão de alguns bens da gente. Nós estamos passando por uma investigação, não tem nada afirmado ainda”, afirmou.

A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), e apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online, conhecidos como “jogo do tigrinho”.

O marido da influenciadora, Wilton Wagner Magalhães, também foi alvo da ação e acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Na residência do casal, os policiais apreenderam uma pistola Glock calibre 9mm.

Além deles, a polícia cumpriu medidas contra Williane Orben Vasconcelos Coutinho, irmã de Jéssica, conhecida como Lili Vasconcelos nas redes sociais, e o marido dela, o empresário Erison Coutinho, proprietário de uma loja do setor têxtil.

Ao todo, foram cumpridas 34 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e também no município de Itapema, em Santa Catarina. Entre as medidas estão sete mandados de busca e apreensão, suspensões de atividades econômicas, bloqueio de contas em redes sociais, sequestro de imóveis e veículos, apreensão de passaportes e bloqueio de contas bancárias que somam R$ 10 milhões.

De acordo com a Polícia Civil, Wilton é apontado como o principal articulador do esquema, com atuação na movimentação financeira e ocultação de valores supostamente obtidos por meio da divulgação dos jogos.

As investigações indicam que os envolvidos utilizavam plataformas digitais para promover os jogos de azar, com promessas de ganhos elevados e rápidos. Os valores arrecadados seriam utilizados na aquisição de bens de alto valor, como imóveis e veículos, frequentemente exibidos nas redes sociais.

Ainda segundo a apuração, o esquema apresenta características semelhantes às de pirâmide financeira, em que os rendimentos dependem da entrada de novos participantes. A ostentação de padrão elevado de vida, com viagens internacionais e bens de luxo, seria utilizada como estratégia para atrair novos usuários.

A Polícia Civil também apontou incompatibilidade entre o patrimônio apresentado e a renda formal declarada pelos investigados. Conforme o inquérito, mesmo ligados a empresas de pequeno e médio porte, eles teriam adquirido, em curto período, bens de alto padrão sem comprovação de origem lícita dos recursos.

O caso segue sob investigação.

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