A terapeuta Gabriela Martins Santos Moura, de 31 anos, morreu após passar mal durante um procedimento de coleta de óvulos realizado no dia 17 de fevereiro, em uma clínica de reprodução assistida na zona sul de São Paulo. Ela ficou internada em estado grave no Hospital Sírio-Libanês e teve a morte confirmada no dia 24 de fevereiro.
Segundo informações do prontuário médico, Gabriela realizava a retirada de óvulos para fertilização in vitro na Genics Clínica Reprodutiva e Genômica Ltda., localizada em Indianópolis. Logo após receber sedação, ela apresentou queda brusca na oxigenação, evoluindo para broncoespasmo severo e parada cardiorrespiratória.
O anestesista Néstor Daniel Turner, de 70 anos, informou que realizou administração de adrenalina, intubação e manobras de reanimação. Apesar dos procedimentos, a paciente sofreu hipóxia grave e teve uma segunda parada cardíaca.
Gabriela foi transferida em estado crítico para o Hospital Sírio-Libanês, onde permaneceu internada até morrer uma semana depois. A família aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para identificar a causa da morte.
O marido da terapeuta, o médico-cirurgião Samuel Ricardo Batista Moura, afirma que houve falhas no atendimento prestado pela equipe médica. Segundo ele, existiram demora na resposta à intercorrência, problemas na condução da anestesia e falta de esclarecimentos sobre o ocorrido durante o procedimento.
A defesa da família é representada pelo advogado Yuri Felix.
Em nota, o anestesista afirmou que a paciente apresentava quadro estável antes da sedação e que todos os protocolos foram adotados após a complicação clínica.
A Genics informou que atua há 16 anos na área de reprodução assistida e segue as normas legais do setor. A clínica declarou ainda que a ginecologista Aline Leite Nogueira acompanhava o procedimento e não identificou alterações durante a coleta dos óvulos.
Segundo a empresa, a intercorrência foi percebida pelo anestesista, que utilizou “todos os recursos disponíveis” para atendimento da paciente.
A clínica também afirmou que complicações graves em procedimentos desse tipo são raras e classificou mortes durante a realização da técnica como “evento excepcionalmente incomum”. A empresa disse colaborar com as investigações e manifestou solidariedade à família.
O procedimento realizado seria a técnica ICSI, método em que um espermatozoide é injetado diretamente no óvulo em laboratório para fertilização assistida.




