Deolane atuava como caixa do PCC, aponta investigação

Influenciadora é investigada por suspeita de atuar como operadora financeira da facção

A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) durante uma operação que investiga lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Ministério Público de São Paulo, ela é suspeita de atuar como operadora financeira da organização criminosa.

Os detalhes da investigação foram apresentados em entrevista coletiva pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio Oliveira Costa, e pelo promotor Lincoln Gakiya.

De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionava por meio da movimentação de recursos ilícitos utilizando empresas e contas ligadas à influenciadora. Conforme os investigadores, os valores eram misturados a receitas legais para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

Durante a coletiva, o procurador-geral afirmou que a exposição pública de Deolane contribuía para dar aparência de legalidade às operações financeiras. “O crime deposita recursos na figura pública, os valores se misturam a outros com origem lícita e depois retornam ao crime organizado”, declarou.

A defesa da influenciadora informou que irá se manifestar após ter acesso integral ao processo. O advogado Rogério Nunes não comentou o mérito das acusações até o momento.

Segundo a investigação, a transportadora Lado a Lado é apontada como elo entre a influenciadora e o PCC. A empresa teria sido identificada como braço operacional da facção após análise de dados obtidos por meio da quebra de sigilos bancário e fiscal.

O promotor Lincoln Gakiya afirmou que dois fatores sustentam a suspeita de vínculo entre Deolane e integrantes da facção. O primeiro seria a atuação da advogada na defesa de diversos membros do PCC ao longo da carreira.

O segundo ponto envolve relações pessoais. Segundo o Ministério Público, Deolane mantém amizade com Alejandro Camacho, irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como líder da organização criminosa. Alejandro também foi alvo da operação realizada nesta quinta-feira.

Os investigadores ainda afirmam que a influenciadora teve relacionamento com um integrante do PCC que cumpria pena no interior de São Paulo.

As investigações apontaram ainda que Deolane abriu 35 empresas registradas em um mesmo endereço residencial. Segundo o Ministério Público, as empresas seriam fictícias e utilizadas para movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Esta não é a primeira vez que a influenciadora enfrenta investigações relacionadas à lavagem de dinheiro. Em 2024, ela foi presa em Recife durante apuração envolvendo suposta lavagem de recursos ligados a casas de apostas. Na ocasião, obteve liberdade após decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, o atual inquérito apresenta elementos considerados mais consistentes pelas autoridades. “As provas são robustas”, afirmou.

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