PGR denuncia empresário de MT por esquema de venda de sentenças

Andreson Gonçalves é apontado como líder de organização investigada por atuar no STJ

Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta quarta-feira (27) o empresário e lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves por suposta participação em um esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A denúncia foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo a PGR, Andreson seria o líder de uma organização criminosa suspeita de negociar decisões judiciais em processos de alto valor econômico. Atualmente, ele está preso em Primavera do Leste, a 231 quilômetros de Cuiabá.

Ao todo, nove investigados foram denunciados por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, exploração de prestígio e organização criminosa. Nenhum magistrado do STJ foi denunciado.

De acordo com a investigação, o grupo teria atuado entre junho de 2019 e dezembro de 2023, principalmente em Brasília e Cuiabá, com divisão de funções para captação de clientes, obtenção de informações internas e movimentação financeira.

A denúncia aponta que Andreson fazia a intermediação junto aos tribunais em Brasília e coordenava a atuação do grupo. Ele responde por corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de capitais e organização criminosa.

A apuração avançou após análise do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 em Cuiabá. Conforme a PGR, ele atuava na articulação de interesses relacionados ao esquema, mas não foi denunciado devido à extinção da punibilidade pela morte.

Entre os casos investigados está um litígio envolvendo a Fazenda Eldorado. Segundo a denúncia, decisões judiciais seriam negociadas mediante pagamento de vantagens indevidas.

A investigação também aponta lavagem de dinheiro por meio de empresas e operações financeiras fracionadas para dificultar o rastreamento dos valores.

Entre as provas reunidas pela PGR estão registros internos do STJ, quebras de sigilo bancário, mensagens trocadas por WhatsApp e análise de metadados de arquivos.

Além de Andreson, foram denunciados advogados, ex-servidores ligados ao STJ e pessoas apontadas como operadores financeiros do esquema.

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