Um estudo realizado por pesquisadores de Mato Grosso identificou baixa prevalência do vírus linfotrópico de células T humanas tipos I e II (HTLV-I/II) entre doadores de sangue atendidos pelo MT Hemocentro. A pesquisa avaliou 60.568 amostras coletadas entre janeiro de 2018 e agosto de 2021 e constatou taxa de infecção de 0,10% entre os doadores analisados.
O levantamento apontou que 63 amostras apresentaram resultado positivo para o vírus. O maior índice foi registrado em 2020, quando a frequência alcançou 0,16% dos doadores avaliados. Segundo os pesquisadores, o percentual é semelhante ao observado em hemocentros da Região Sudeste do país.
O HTLV é um retrovírus da mesma família do HIV e infecta os linfócitos T, células responsáveis pela defesa do organismo. Na maioria dos casos, a infecção permanece sem sintomas por muitos anos. Entretanto, uma parcela dos infectados pode desenvolver doenças graves, especialmente neurológicas e hematológicas.
Entre as principais complicações associadas ao vírus estão a Paraparesia Espástica Tropical, que compromete os movimentos das pernas, e a Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto, considerada uma forma rara e agressiva de câncer do sangue. O HTLV também pode estar relacionado a inflamações oculares, doenças dermatológicas e aumento da suscetibilidade a outras infecções.
A pesquisa identificou predominância de casos positivos entre mulheres com idade entre 31 e 45 anos, pardas, com ensino médio completo e atuação profissional na iniciativa privada. Os dados também apontaram a ocorrência de coinfecções com hepatite B, hepatite C, sífilis e HIV.
Para a detecção dos casos, os pesquisadores utilizaram a técnica de quimioluminescência automatizada, método empregado em bancos de sangue por apresentar elevada sensibilidade e especificidade diagnóstica.
Atualmente, uma nova etapa do estudo está em andamento com o objetivo de avaliar a carga pró-viral do HTLV-1/2 em amostras analisadas pelo MT Hemocentro entre 2024 e 2026. O trabalho é desenvolvido em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso (Lacen-MT) e o Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), referência no acompanhamento de doadores com sorologia positiva.
Coordenada pelo pesquisador Ruberlei Godinho de Oliveira, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a pesquisa recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), por meio do Edital PPSUS 004/2025.
De acordo com os pesquisadores, o monitoramento contínuo do HTLV contribui para o fortalecimento da segurança transfusional e para o aprimoramento das estratégias de prevenção. O estudo também reforça a importância da triagem obrigatória nos bancos de sangue brasileiros, adotada desde 1993, para reduzir riscos de transmissão e ampliar o conhecimento sobre a circulação do vírus na população.


