Relatório aponta risco elevado de El Niño no segundo semestre de 2026

Especialistas alertam para impactos sobre chuvas, calor, queimadas e produção agrícola

Reprodução

Modelos climáticos utilizados por órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam elevada probabilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026. As projeções indicam chances entre 82% e 90% de consolidação do evento entre os meses de agosto e outubro.

Além da possibilidade de ocorrência do fenômeno, especialistas acompanham a intensidade que ele poderá atingir. Segundo o climatologista Rodrigo Marques, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), um evento é considerado extremo quando o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial supera 2°C acima da média histórica.

As projeções atuais indicam que esse aquecimento pode se aproximar de 3°C, cenário que tem despertado atenção da comunidade científica. Apesar disso, pesquisadores ressaltam que ainda é cedo para confirmar a intensidade do fenômeno, já que os modelos climáticos tendem a ganhar maior precisão nos próximos meses.

Caso o El Niño se confirme, a previsão é de mudanças significativas nos padrões climáticos do Brasil. Enquanto a Região Sul pode registrar aumento das chuvas, áreas do Centro-Oeste, Norte e parte do Nordeste tendem a enfrentar períodos mais prolongados de estiagem.

Em Mato Grosso, especialistas projetam temperaturas acima da média, redução da umidade do ar, aumento dos períodos sem chuva e maior risco de queimadas. O cenário preocupa especialmente pela influência do fenômeno sobre a Amazônia, principal fonte de umidade que alimenta as chuvas em grande parte do estado.

Segundo Rodrigo Marques, episódios de seca na floresta amazônica costumam reduzir o transporte de umidade para Mato Grosso, favorecendo condições mais secas durante a estação chuvosa.

Além dos impactos ambientais, especialistas alertam para possíveis reflexos econômicos. O economista Maurício Munhoz destaca que alterações climáticas podem afetar o calendário agrícola, elevar custos de produção, pressionar a logística de escoamento das safras e influenciar os preços dos alimentos.

Entre as culturas mais sensíveis às variações climáticas estão soja, milho e algodão, que têm papel relevante na economia mato-grossense. Pequenos e médios produtores também podem enfrentar maiores dificuldades para absorver perdas provocadas por eventos extremos.

Apesar dos alertas, pesquisadores do INPE ressaltam que ainda existe incerteza sobre a força do fenômeno. Segundo o meteorologista Gilvan Sampaio, além do aquecimento das águas do Pacífico, é necessário que ocorram mudanças na circulação atmosférica para que o El Niño se estabeleça plenamente.

A expectativa é que os efeitos mais perceptíveis, caso o fenômeno se confirme, ocorram entre a primavera de 2026 e o verão de 2027. Até lá, os órgãos de monitoramento climático devem atualizar periodicamente as projeções para orientar produtores rurais, gestores públicos e a população.

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