Um tribunal da China condenou 11 pessoas de uma mesma família à morte por participação em um esquema criminoso bilionário operado na região de Kokang, no norte de Mianmar. As informações foram divulgadas pelo jornal estatal China Daily.
Os réus integravam a chamada família Ming, apontada como responsável por golpes digitais, exploração de cassinos, tráfico de drogas, prostituição organizada e homicídios de cidadãos chineses. Segundo o Tribunal Popular Intermediário de Wenzhou, na província de Zhejiang, o grupo utilizava trabalhadores traficados para aplicar fraudes virtuais em estrangeiros.
No auge das operações, a família chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas, movimentando bilhões de dólares, segundo a emissora estatal CCTV. A Justiça chinesa considerou o grupo culpado de 14 crimes, incluindo homicídio doloso, fraude e lesão corporal intencional, resultando na morte de 14 chineses e deixando outros seis feridos.
Além das 11 condenações à morte, cinco membros receberam penas de morte suspensas por dois anos, que podem ser convertidas em prisão perpétua em caso de bom comportamento. Outros 12 réus foram condenados a penas entre cinco e 24 anos de prisão, com multas e confisco de bens.
O chefe do grupo, Ming Xuechang, que já ocupou cargo no parlamento estadual de Mianmar, cometeu suicídio enquanto estava sob custódia. Seu filho, Ming Guoping, líder da Força de Guarda de Fronteira de Kokang, além da filha e neta, também foram presos.
As investigações ganharam destaque em 2023, com mandados de prisão emitidos pelas autoridades chinesas e operações conjuntas com Mianmar que resultaram na prisão de dezenas de suspeitos e na devolução de mais de 53 mil pessoas, entre vítimas de tráfico e envolvidos em golpes.
Segundo o Instituto dos Estados Unidos para a Paz, golpes aplicados por sindicatos criminosos do Sudeste Asiático causam perdas superiores a US$ 43 bilhões por ano. Só o grupo Ming teria obtido lucros superiores a 10 bilhões de yuans (cerca de US$ 7,4 bilhões). Nos últimos anos, a China intensificou a repressão a fraudes em telecomunicações, desmantelando mais de 2.000 centros fraudulentos no exterior e prendendo 80 mil suspeitos, segundo o Ministério da Segurança Pública.




