Trump diz estudar ataques terrestres contra cartéis na Venezuela e aumenta tensão com Maduro

Declaração ocorre no mesmo dia em que a Casa Branca autorizou operações secretas da CIA no país; movimentação militar americana inclui sobrevoos de bombardeiros e reforço naval no Caribe.

Chip Somodevilla/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (15) que estuda realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas que operam na Venezuela, ampliando a escalada de tensão entre Washington e o regime de Nicolás Maduro.

A declaração foi dada no Salão Oval, ao responder sobre a possibilidade de ações militares em solo venezuelano. “Certamente estamos pensando agora na terra, porque já temos bem sob controle o mar”, disse Trump.

Nos últimos meses, as forças americanas bombardearam cinco embarcações no Caribe que, segundo o governo, transportavam drogas para os EUA, resultando na morte de ao menos 27 pessoas. Em agosto, Trump já havia ordenado o envio de 10 mil militares e oito navios de guerra à região, com o argumento de combater o narcotráfico.

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Trump e Maduro: tensão entre os dois países  (Federico PARRA, KAMIL KRZACZYNSKI/AFP)

Ainda nesta quarta, a Força Aérea dos EUA enviou três bombardeiros estratégicos B-52 para sobrevoos a menos de 200 quilômetros de Caracas. As aeronaves, capazes de transportar armamentos nucleares, realizaram manobras consideradas provocativas por analistas. Em resposta, o governo venezuelano intensificou exercícios militares e mobilizou milícias.

Segundo o New York Times, Trump assinou uma “descoberta presidencial” — autorização confidencial que permite à CIA conduzir operações letais e encobertas na Venezuela e no Caribe, com o objetivo de enfraquecer e, eventualmente, destituir Maduro. A Casa Branca também oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do líder venezuelano, acusado de “narcoterrorismo” em uma corte de Nova York desde 2020.

Analistas internacionais apontam que a presença militar americana no Caribe é a maior desde a intervenção no Haiti, em 1994, envolvendo cruzadores, destróieres, submarinos nucleares, caças F-35 e fuzileiros navais. A movimentação preocupa países vizinhos, incluindo o Brasil, que reforçou posições militares em Roraima diante da possibilidade de aumento no fluxo de refugiados venezuelanos.

Maduro foi reeleito no ano passado para um terceiro mandato, em um processo marcado por denúncias de fraude eleitoral. A líder opositora María Corina Machado, atualmente na clandestinidade, recebeu recentemente o Prêmio Nobel da Paz, intensificando o isolamento internacional do regime.

Observadores internacionais alertam que a estratégia de Trump de equiparar cartéis de drogas a organizações terroristas permite o uso de força militar sem autorização do Congresso, mas também pode abrir caminho para uma intervenção direta na Venezuela.

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