Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira (29), às 13h, no horário de Mato Grosso, pela segunda fase da Copa do Mundo, em Houston, nos Estados Unidos. Além da disputa em campo, o confronto evidencia a relação comercial entre Mato Grosso e o mercado japonês, impulsionada principalmente pelas exportações do complexo soja.
Dados de 2025 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que o estado exportou 311,94 mil toneladas de farelo de soja ao Japão, gerando receita de US$ 105,35 milhões. As vendas de soja em grão somaram 223,4 mil toneladas, com faturamento de US$ 88,61 milhões.
Ao todo, os embarques dos dois produtos alcançaram 535,34 mil toneladas, movimentando US$ 193,96 milhões e consolidando o complexo soja como o principal elo comercial entre Mato Grosso e o país asiático.
Além das exportações do estado, a balança comercial entre Brasil e Japão inclui outros produtos de destaque. Em 2025, o Brasil exportou 12,63 milhões de toneladas de minério de ferro, com receita de US$ 960 milhões, e 150 mil toneladas de café, que renderam US$ 1,03 bilhão. Em contrapartida, o país importou do Japão 95,78 mil toneladas de partes e acessórios para veículos automotores, avaliadas em US$ 1,15 bilhão.
Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, uma das principais oportunidades para o agronegócio brasileiro é a abertura do mercado japonês para a carne bovina. Atualmente, o Japão concentra suas importações em fornecedores como Estados Unidos e Austrália.
De acordo com Gauer, o acesso ao mercado japonês representaria um reconhecimento da qualidade e do padrão sanitário da carne brasileira, além de ampliar as possibilidades comerciais para Mato Grosso, que possui o maior rebanho bovino do país.
As negociações ganharam impulso após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O governo japonês também programou uma auditoria no sistema sanitário brasileiro, etapa considerada fundamental para avaliar uma futura autorização de importação da carne bovina nacional.
Para representantes do setor produtivo, a presença em mercados mais exigentes, como o japonês, fortalece a competitividade do agronegócio mato-grossense e amplia as oportunidades de agregação de valor às exportações do estado.





