Um ano após a entrada em vigor da lei que restringe o uso de celulares nas escolas, 92% das instituições públicas e privadas do Brasil já adotaram a medida. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30) pelo Ministério da Educação (MEC), com base em uma pesquisa realizada em parceria com o Inep, o Instituto Alana e a Unesco.
O levantamento ouviu gestores de 8.189 escolas de todos os estados e aponta que 45% consideram a implementação da norma consolidada. Outros 47% afirmam que a adaptação ainda está em andamento, apesar dos desafios enfrentados.
Segundo a pesquisa, antes da legislação, 13% das escolas permitiam o uso de celulares em qualquer ambiente e horário. Atualmente, nenhuma instituição mantém essa prática. Já o percentual de escolas que restringem os aparelhos em todos os espaços passou de 20% para 48%.
Os gestores também relataram impactos positivos no ambiente escolar. De acordo com o estudo, 97% observaram aumento da participação dos estudantes nas atividades, enquanto 95% perceberam melhora na concentração durante as aulas.
A convivência entre os alunos também apresentou mudanças. Para 95% dos entrevistados, houve crescimento da socialização presencial. Outros 88% associaram a política à redução de conflitos, agressões digitais e casos de cyberbullying.
A pesquisa ainda indica que 86% dos gestores acreditam que a restrição ao uso dos celulares contribuiu para diminuir a ansiedade entre os estudantes.
O levantamento aponta também um aumento das atividades sem telas. Cerca de 67% das escolas registraram crescimento de práticas manuais, artísticas e lúdicas, enquanto 56% relataram maior utilização de pátios e quadras em atividades pedagógicas.
Apesar da limitação ao uso recreativo dos aparelhos, o estudo mostra que o emprego da tecnologia para fins educacionais foi mantido ou ampliado em 86% das escolas. Além disso, 71% dos gestores discordam da avaliação de que a restrição prejudica o desenvolvimento das habilidades digitais dos estudantes.
Nas redes públicas de ensino, 51% das escolas informaram ter ampliado ações de educação digital e midiática em 2025. Outras 36% pretendem iniciar iniciativas desse tipo ao longo de 2026.
Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Katia Schweickardt, o objetivo da política é incentivar um uso mais equilibrado da tecnologia, preservando seu papel pedagógico e reduzindo o uso excessivo dos dispositivos no ambiente escolar.




