A coordenação jurídica da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro protocolou nesta terça-feira (19) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral contra a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que apontou queda nas intenções de voto do parlamentar em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A ação questiona a metodologia utilizada pelo instituto e afirma que o questionário teria sido elaborado de forma a induzir percepção negativa sobre o senador. Segundo a defesa, perguntas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master teriam influenciado as respostas dos entrevistados.
“A sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados”, afirmou a coordenação jurídica.
O pedido protocolado no TSE sustenta que a pesquisa deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais e argumenta que o questionário teria apresentado estímulos capazes de influenciar a percepção dos eleitores antes das perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral.
A representação também solicita apuração de possível crime eleitoral e pede a suspensão da divulgação dos resultados. O processo foi registrado como representação por “divulgação de pesquisa eleitoral fraudulenta”.
Em nota, a AtlasIntel informou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e declarou estar preparada para responder aos questionamentos técnicos apresentados.
Segundo o instituto, o teste de áudio citado pela defesa foi realizado separadamente do questionário principal e apenas após a conclusão da pesquisa pelos participantes.
“O teste de áudio e o questionário de pesquisa são instrumentos completamente distintos, realizados em momentos e interfaces separados”, afirmou a empresa.
A AtlasIntel também declarou que perguntas sobre o caso envolvendo Vorcaro buscavam apenas medir o conhecimento prévio dos entrevistados sobre o tema, classificando o procedimento como prática metodológica padrão em pesquisas de opinião.
O instituto acrescentou que o levantamento foi conduzido com “rigor técnico e metodológico”, baseado em princípios de imparcialidade, transparência e qualidade dos dados.
A pesquisa apontou que, em um eventual segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 48,9% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 41,8%.
Na edição anterior do levantamento, divulgada em abril, o senador aparecia tecnicamente empatado com Lula, com diferença seis pontos menor.
O levantamento também mediu rejeição dos pré-candidatos. Segundo os dados, 52% dos entrevistados afirmaram que “não votariam de jeito nenhum” em Flávio Bolsonaro, enquanto 50,6% deram a mesma resposta em relação a Lula.
A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-06939/2026. Foram ouvidas 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.




