Lula amplia gastos, mas enfrenta alta rejeição em meio à inflação dos alimentos

Avaliação negativa chega a 40% e cenário econômico, com inflação alimentar e endividamento, impacta percepção da população

Joédson Alves/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem adotado medidas de estímulo econômico em meio à tentativa de manter apoio eleitoral, mas enfrenta avaliação negativa de 40%, segundo pesquisa Datafolha, a cinco meses do primeiro turno. O levantamento também indica empate com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em projeções de segundo turno.

De acordo com especialistas, a alta nos preços dos alimentos e o elevado endividamento das famílias são fatores que têm impactado a percepção da população, mesmo diante de indicadores positivos como queda no desemprego e recuperação da renda média.

Levantamento do Datafolha aponta que a avaliação ruim ou péssima do governo cresceu inclusive entre os mais pobres, passando de 24% em dezembro de 2024 para 33% em abril deste ano. No Nordeste, tradicional base eleitoral do presidente, o índice subiu de 22% para 27% no mesmo período.

Pesquisa Genial/Quaest de abril mostra que 72% dos entrevistados avaliam que os preços dos alimentos subiram, ante 58% em março. Já o percentual de pessoas que afirmam ter perdido poder de compra aumentou de 64% para 71%.

Segundo análises econômicas, a renda disponível das famílias, após despesas essenciais e pagamento de dívidas, está no menor nível desde 2011. Há ainda indicativos de precarização do mercado de trabalho, com crescimento de vagas de menor remuneração.

Projeções de consultorias apontam aceleração na inflação de alimentos em 2026, podendo chegar a 5%, com impacto de fatores como custos de insumos e efeitos climáticos. Relatórios internacionais também indicam pressão inflacionária maior para o setor nos próximos anos.

No campo macroeconômico, o governo tem adotado medidas para conter preços e estimular a economia, como desoneração de combustíveis, ampliação de programas sociais e liberação de recursos para habitação e crédito. Estimativas indicam que o conjunto dessas ações pode injetar mais de R$ 100 bilhões na economia.

Especialistas avaliam que o cenário econômico, especialmente o custo de vida, deve ter papel central na avaliação do governo e no comportamento do eleitorado nos próximos meses.

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