Intenção de consumo das famílias recua 4,1% e interrompe recuperação

Levantamento em Cuiabá aponta maior cautela dos consumidores diante do cenário econômico, apesar da confiança em emprego e renda.

Reprodução

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Cuiabá registrou queda de 4,1% em junho, interrompendo dois meses consecutivos de alta. O índice passou de 114,4 pontos em maio para 109,7 pontos, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisado pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).

Apesar da retração, o indicador permanece acima dos 100 pontos, faixa considerada positiva para a percepção dos consumidores. Ainda assim, o resultado representa o menor nível registrado desde dezembro do ano passado e sinaliza maior cautela das famílias em relação aos gastos.

Segundo a Fecomércio-MT, a redução está relacionada às incertezas sobre o mercado de trabalho, o acesso ao crédito e o orçamento doméstico.

Todos os sete componentes que formam o índice apresentaram queda em junho. A maior retração ocorreu na Perspectiva Profissional, que recuou 7,3% em comparação com maio. Em seguida aparecem Disponibilidade de Crédito e Nível de Consumo Atual, ambos com redução de 4,7%.

Também registraram desempenho negativo os indicadores de Perspectiva de Consumo (-4,0%), Momento para Compra de Bens Duráveis (-3,9%), Renda Atual (-3,8%) e Emprego Atual (-0,8%).

Mesmo com o recuo do índice, parte dos consumidores mantém avaliação positiva sobre a situação financeira. A pesquisa mostra que 45,5% dos entrevistados afirmaram estar mais seguros em relação ao emprego do que há um ano, enquanto 54,7% disseram que a renda familiar melhorou no mesmo período.

No levantamento sobre o consumo atual, 44% dos entrevistados informaram que estão comprando menos do que em 2025, enquanto 41,8% afirmaram ter ampliado os gastos.

As expectativas para os próximos meses permanecem favoráveis. Quase metade dos participantes da pesquisa, 47,7%, acredita que o consumo aumentará ao longo do segundo semestre, enquanto 42% projetam redução nas compras.

Na avaliação da Fecomércio-MT, os resultados indicam que, embora as famílias estejam mais cautelosas no momento, a confiança na melhora da renda e das condições econômicas continua sustentando as perspectivas de consumo para os próximos meses.

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