Atraso das Chuvas em Mato Grosso Coloca em Risco a Safra de Soja e Milho

Com menos de 25% do plantio concluído, Aprosoja MT alerta para falhas na lavoura, risco de replantio e ameaça à janela da safrinha de milho devido à falta de precipitações contínuas.

Reprodução

O setor agrícola de Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, vive um momento de alerta devido ao atraso na regularização das chuvas em todo o estado. Apesar do fim do vazio sanitário da soja no dia 6 de setembro, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifesta grande preocupação com o ritmo lento da semeadura.

De acordo com a última atualização do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), menos de 25% da área destinada à soja havia sido semeada. A falta de chuvas contínuas está limitando as operações em campo e, segundo a Aprosoja MT, pode gerar sérios prejuízos.

Plantio Desafiador e Risco de Perdas

O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, classificou o cenário como “desafiador” em todas as regiões do estado. Ele destacou que as previsões de chuva não têm se confirmado, frustrando a expectativa de aceleração do plantio após a segunda quinzena de setembro.

“Estamos entrando na segunda quinzena de outubro e as chuvas ainda não regularizaram. Mesmo com esse plantio em andamento, há lugares que estavam há mais de 10 dias sem chuvas, o que pode causar deficiência no estande de plantas, uma má distribuição de plantio ou até mesmo a necessidade de replantio,” afirmou Costa Beber.

O principal risco imediato é a queda de produtividade. Lavouras que germinaram e ficaram sem chuva tendem a ter um desenvolvimento prejudicado, resultando em plantas mais baixas e com falhas.

Ameaça à “Janela” do Milho

Outra grande preocupação é o impacto na segunda safra, o milho, que é uma cultura crucial para a economia mato-grossense. O atraso no plantio da soja empurra o ciclo para frente, comprimindo a janela ideal para a semeadura do milho.

“O ideal é que, até 20 de outubro, as áreas destinadas ao milho estejam todas plantadas para garantir uma janela segura de produção. Muitos produtores não conseguiram acelerar o plantio da soja justamente para evitar um atraso perigoso na safrinha,” alertou o presidente da entidade.

Alto Custo do Replantio

A Aprosoja MT também chama a atenção para os efeitos financeiros da crise hídrica. Em um ano de margens de lucro já apertadas, a necessidade de replantio representa um custo adicional muito alto para o produtor.

“Quando é preciso replantar, o custo é muito alto. Muitas vezes o produtor fica em dúvida: se não replantar, pode colher menos, mas o replantio custa caro e atrasa a janela da segunda safra,” explicou Lucas Costa Beber.

Diante das dificuldades, a Aprosoja MT reforça a necessidade de condições de crédito compatíveis com os desafios enfrentados no campo, buscando mitigar as perdas e preservar a viabilidade econômica da safra.

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