Mato Grosso responde sozinho por aproximadamente 15,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Brasil. Em janeiro de 2026, o estado soma R$ 220,4 bilhões, frente a um VBP nacional de R$ 1,419 trilhão. Na prática, quase R$ 1 a cada R$ 6,5 gerados no campo brasileiro vêm do território mato-grossense.
O VBP é um indicador que mede o faturamento bruto das atividades agropecuárias dentro da porteira ao longo de um ano. A liderança do estado reflete a escala produtiva, a forte presença na produção de grãos, o avanço do milho safrinha, a integração lavoura-pecuária e a expansão do etanol de milho. O modelo é intensivo em tecnologia e fortemente conectado ao mercado externo.
O desempenho de Mato Grosso ajuda a explicar o resultado nacional. O agronegócio inicia 2026 com VBP de R$ 1,419 trilhão, alta de 11,9% em relação a 2024. O crescimento foi disseminado, mas mostra maior concentração em cadeias exportadoras e regiões de grande escala produtiva.
Após Mato Grosso, aparecem Minas Gerais, com R$ 167,8 bilhões, São Paulo, com R$ 165,6 bilhões, Paraná, com R$ 158,3 bilhões, e Goiás, com R$ 121,5 bilhões. A região Centro-Oeste consolida-se como o principal eixo de geração de valor do agro brasileiro.
No recorte setorial, as lavouras somaram R$ 930,5 bilhões, avanço de 10,6%. Já a pecuária atingiu R$ 488,8 bilhões, com crescimento de 14,3%. O ciclo favorável das carnes, especialmente a bovina, foi determinante para o resultado.
O segmento de bovinos alcançou R$ 211,5 bilhões, alta de 24,3%, impulsionado pela demanda externa. Suínos, ovos, leite e frango também registraram crescimento.
Entre os principais produtos, o café se destacou, com VBP de R$ 114,6 bilhões e alta de 45,7%. A soja atingiu R$ 329,1 bilhões, com avanço de 10,7%, enquanto o milho somou R$ 166,1 bilhões, crescimento de 32,9%.
Por outro lado, culturas voltadas à alimentação básica apresentaram retração. O arroz registrou queda de 16,4% e o feijão recuou 20,5%, evidenciando diferenças internas no desempenho do setor.
O resultado recorde reforça o agronegócio como um dos principais motores da economia brasileira. Ao mesmo tempo, a concentração de 15,5% do valor em um único estado indica que o crescimento está cada vez mais estruturado em polos altamente competitivos.
Para 2026, o desafio será manter o ritmo em um cenário de custos elevados, incertezas climáticas e volatilidade no mercado internacional, preservando produtividade e margem no campo.




