O Brasil ocupa a segunda posição mundial na produção de mamão, mas ainda depende de sementes importadas, principalmente de Taiwan, baseadas em linhagens antigas. Para reduzir essa vulnerabilidade, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) conduz um programa de melhoramento genético no câmpus de Tangará da Serra.
Coordenado pelo professor Willian Krause, o projeto busca desenvolver novas cultivares mais adaptadas às condições brasileiras. Segundo o pesquisador, a baixa diversidade genética atual expõe as lavouras a riscos sanitários e limita o desempenho produtivo.
A iniciativa aposta na criação de populações com maior variabilidade genética, combinando características como doçura, resistência a pragas e qualidade de casca. O trabalho envolve cruzamentos entre variedades consideradas de alto padrão, como Calimosa, Tainung nº 1 e Golden.
No Laboratório de Biologia Celular e Molecular da universidade, os pesquisadores utilizam marcadores moleculares para identificar, ainda na fase inicial, quais plantas têm maior potencial produtivo. A técnica permite prever o desempenho dos híbridos antes mesmo da produção dos frutos.
O processo completo de desenvolvimento de uma nova cultivar pode levar de 10 a 12 anos. As etapas incluem cruzamentos controlados, análises genéticas, testes de campo e avaliações de qualidade, como teor de açúcar, firmeza e resistência ao transporte.
Além do foco produtivo, o projeto também investe na formação de pesquisadores. Estudantes de pós-graduação participam das etapas da pesquisa, incluindo experiências práticas em empresas do setor, como a Feltrin Sementes, parceira da iniciativa.
Com investimento de R$ 353 mil da empresa, o modelo adotado combina produção científica e aplicação no mercado. As variedades desenvolvidas devem ser registradas e licenciadas, com geração de royalties para a universidade.
A proposta também envolve programas de incentivo à inovação, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
Segundo a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, o projeto fortalece a integração entre universidade e setor produtivo, além de ampliar a inserção internacional da instituição.
Com o avanço das pesquisas, a expectativa é que o chamado “mamão Unemat” contribua para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira e ampliar a competitividade da fruticultura nacional.







