O setor do agronegócio brasileiro enfrenta uma crise considerada “sem precedentes”, segundo Carlos Aguiar, diretor de agronegócio do Banco Santander. O executivo afirmou que o momento atual é diferente de todas as crises anteriores devido à alta alavancagem, ou seja, ao endividamento expressivo que os produtores adquiriram durante o período de forte expansão, entre 2020 e 2022.
Naquele período, o agronegócio viveu uma fase de crescimento acelerado, impulsionada por juros baixos, câmbio favorável e margens recordes de lucro. Muitos produtores aproveitaram o cenário para investir em compras de terras, máquinas e tecnologia.
Combinação de fatores agrava a crise
No entanto, com a elevação da taxa Selic, que chegou a 15%, as margens de lucro caíram drasticamente, tornando muitas dívidas inviáveis.
De acordo com Aguiar, a crise atual é mais complexa porque combina produção elevada, preços baixos e margens comprimidas. A situação tem levado produtores endividados a vender propriedades e arrendatários a enfrentar dificuldades para acessar crédito.
Outro reflexo deste cenário é o aumento dos pedidos de recuperação judicial, o que, segundo o banco, gera riscos adicionais para fornecedores e instituições financeiras.
Bancos mais cautelosos
A situação para o setor bancário se agravou com a Resolução 4.966, que exige provisões mais rigorosas dos bancos para a concessão de crédito, tornando o sistema financeiro mais restritivo.
Mesmo diante do quadro desafiador, o Santander afirma que não deixará o setor. No entanto, o banco atuará com mais cautela, exigindo garantias adicionais e adotando uma postura mais seletiva na liberação de financiamentos.
“Acreditamos no agro e vamos continuar acreditando”, destacou Carlos Aguiar, reforçando o compromisso do banco com o setor, que é um pilar da economia brasileira.




