Banqueiros e autoridades dizem que PF também sofreu pressão de Moraes

Rumores citam suposto interesse do ministro em investigações e atuação junto ao Banco Central; versões são contestadas por autoridades

Ronny Santos/Folhapress

Autoridades e banqueiros de Brasília relataram a jornalistas que teriam recebido informações de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria pressionado o Banco Central em favor do Banco Master e manifestado interesse no andamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) sobre o caso. As alegações, no entanto, são negadas tanto pela PF quanto pelo STF.

Segundo os relatos, integrantes da PF teriam comentado que Moraes demonstrou interesse nas apurações, e que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, teria informado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o assunto. Ainda conforme essas versões, Lula teria respondido para que fossem adotadas as providências necessárias.

O tema ganhou repercussão após reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que afirmou que Moraes teria feito contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O ministro nega qualquer pressão.

Em nota, a assessoria do STF informou que Alexandre de Moraes nega qualquer tentativa de intervenção junto ao Banco Central. O ministro afirma que manteve reuniões com Galípolo apenas para tratar das sanções impostas pela Lei Magnitsky, sem abordar temas relacionados ao Banco Master, e nega a existência de ligações telefônicas sobre o assunto.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também negou ter tratado do caso com Moraes ou com o presidente Lula. Segundo ele, embora mantenha contato frequente com o ministro por causa de inquéritos relatados no STF, o tema do Banco Master nunca foi discutido.

O Banco Master entrou no centro das atenções em novembro, quando seu presidente, Daniel Vorcaro, foi preso pela PF. A instituição acabou sendo liquidada pelo Banco Central. Ainda segundo o O Globo, a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, é advogada do banco, e o escritório dela teria firmado contrato com a instituição. O STF afirma que o escritório não atuou na operação de aquisição do banco pelo BRB.

O Banco Central confirmou apenas que houve encontro entre Galípolo e Moraes para tratar das sanções internacionais, sem informar se outros temas foram discutidos. O caso segue repercutindo nos bastidores de Brasília, enquanto as autoridades envolvidas negam irregularidades.

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