Guilherme Boulos é o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência

Deputado do PSOL entra no lugar de Macêdo e terá como desafio aproximar o governo da juventude e de movimentos sociais.

Imagem: Leandro Paiva/Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, no final da tarde de hoje (20), a troca no comando da Secretaria-Geral da Presidência da República. O ministro Márcio Macêdo (PT) deixa o cargo, que será assumido pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).

A nomeação de Boulos será publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira.

O que aconteceu

A mudança já era esperada nos bastidores, mas ganhou força hoje. Macêdo teve uma reunião a portas fechadas com Lula no Planalto. Apesar de o tema inicial ser a COP30, o anúncio da substituição veio logo em seguida.

A ausência do ministro em um evento com movimentos sociais na manhã de hoje, no qual Boulos esteve presente, reforçou a expectativa da troca.

A reunião que selou a saída de Macêdo contou com a presença de ministros próximos ao presidente, como Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Gleisi Hoffmann (Presidente do PT).

Os desafios de Boulos

A troca ocorre em meio a uma avaliação do Planalto de que o trabalho de Macêdo com os movimentos sociais — principal atribuição da Secretaria-Geral — não estava apresentando os resultados desejados.

Boulos assume a pasta com dois objetivos principais:

  1. Solidificar a relação com movimentos sociais de porte nacional, que tem sido considerada enfraquecida;
  2. Aumentar o contato e a interlocução com a juventude, um público com o qual o PT e o governo admitem ter pouca relação atualmente. A aposta no deputado do PSOL visa dar uma guinada nessa frente.

Futuro de Macêdo

Márcio Macêdo, que é próximo de Lula e tem a confiança do PT, não assumirá outro posto na administração federal, segundo informações de um integrante do Palácio do Planalto. A expectativa é que o ex-ministro concorra ao cargo de deputado federal nas eleições de 2026.

Macêdo vinha negando a iminência da saída publicamente. No final de setembro, ele afirmou: “O presidente Lula nunca tratou do assunto comigo. O voto popular deu ao presidente a prerrogativa de fazer trocas ministeriais no momento em que ele desejar”.

As mudanças ministeriais realizadas pelo governo neste ano ficaram restritas ao PT. Das seis trocas na Esplanada desde janeiro, as quatro feitas por “vontade própria” de Lula contemplaram o partido, sem afetar o Centrão (com exceção de Comunicações, trocado por escândalos, e Previdência).

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