O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 71 anos, recebeu alta por volta das 10h desta sexta-feira (27) do hospital DF Star, em Brasília, onde estava internado há duas semanas para tratamento de broncopneumonia bacteriana que atingiu ambos os pulmões.
Ele foi levado para sua residência, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde continuará cumprindo pena em regime domiciliar. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da condenação por tentativa de golpe de Estado.
Bolsonaro estava internado desde o dia 13 de março, após passar mal durante a madrugada na unidade prisional conhecida como Papudinha. Ele deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na última segunda-feira (23).
De acordo com boletim médico divulgado na quinta-feira (26), o ex-presidente apresentou boa evolução clínica e não tinha mais sinais de infecção aguda. O cardiologista Brasil Caiado informou que exame de raio-X indicou recuperação quase completa do pulmão direito, enquanto o esquerdo ainda apresenta uma lesão residual, considerada compatível com a gravidade do quadro.
Segundo a equipe médica, a fase aguda da doença foi superada, e Bolsonaro agora entra no período de convalescença. A recuperação total pode levar de três a seis meses.
A prisão domiciliar humanitária foi concedida por 90 dias. Durante esse período, Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar redes sociais ou gravar áudios e vídeos. Ao final do prazo, a situação será reavaliada pela Justiça, podendo haver perícia médica.
Em casa, ele voltará a conviver com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, além da filha e da enteada. As visitas seguem restrições: filhos e advogados estão autorizados, com regras específicas de horário e agendamento junto à Polícia Militar do Distrito Federal.
Médicos que acompanharam o tratamento também poderão acessar a residência sem necessidade de autorização prévia, assim como o fisioterapeuta responsável pelas sessões de reabilitação.
Bolsonaro está preso desde novembro de 2025, quando teve a prisão domiciliar convertida após tentar romper a tornozeleira eletrônica. Na ocasião, alegou ter sofrido um surto. Desde então, permaneceu sob custódia até a nova decisão judicial que permitiu o retorno para casa por razões de saúde.
Nos bastidores políticos, aliados avaliam que a permanência em casa pode ampliar a participação do ex-presidente em articulações políticas. Por outro lado, há preocupação de que eventual intensificação dessas atuações possa gerar novos desdobramentos judiciais.



