Dados analisados pela Receita Federal e divulgados pelo jornal O Globo indicam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) têm atuação concentrada em rotas de tráfico internacional de cocaína voltadas principalmente para a Europa, e não para os Estados Unidos.
Segundo a reportagem, entre 2016 e 2025 foram registradas 345 apreensões de cocaína no Porto de Santos com destino a 68 portos localizados em 50 países. Os principais destinos identificados foram Bélgica, Espanha e Holanda, considerados importantes pontos de entrada da droga no continente europeu.
De acordo com o levantamento, os Estados Unidos não aparecem entre os destinos das cargas apreendidas no período analisado.
Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que fatores geográficos e logísticos tornam a rota entre Brasil e Estados Unidos menos atrativa para organizações criminosas envolvidas no tráfico internacional de drogas. Por outro lado, as rotas para a Europa são consideradas mais estratégicas devido à demanda e à estrutura utilizada para o envio de cargas marítimas.
A publicação também destaca um movimento contrário observado pelas autoridades brasileiras. Armas provenientes dos Estados Unidos continuam sendo apreendidas com frequência em operações realizadas em portos e fronteiras do país.
Os dados surgem em meio à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida foi justificada por autoridades americanas com base na atuação internacional das facções e em potenciais ameaças à segurança nacional.
O levantamento apresentado pela reportagem, no entanto, aponta que as principais rotas de exportação de cocaína associadas ao crime organizado brasileiro têm como destino predominante países europeus, e não o território norte-americano.


