Policiais civis são presos em operação que apura contrabando, lavagem de dinheiro e corrupção

Agentes são suspeitos de integrar organização criminosa; ação fechou camelódromo e cumpriu 31 mandados

Equipes da Polícia Federal nesta manhã (Foto: Divulgação)

Dois policiais civis estão entre os alvos da operação Iscariotes, deflagrada nesta quarta-feira (18) para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar em crimes como contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e corrupção. Edivaldo Quevedo da Fonseca e Célio Rodrigues Monteiro, lotados em delegacias de Campo Grande e Sidrolândia, em MS, foram presos durante a ação.

A operação, conduzida pela Polícia Federal, também resultou no fechamento do Camelódromo de Campo Grande e na apreensão de diversos produtos de origem estrangeira, principalmente do Paraguai.

Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada na importação ilegal de eletrônicos de alto valor, que entravam no país sem documentação fiscal e sem passar pelos controles aduaneiros. Após a entrada irregular, as mercadorias eram distribuídas em Campo Grande e enviadas a outros estados, especialmente Minas Gerais, muitas vezes escondidas em cargas regulares.

As apurações apontam ainda o uso de veículos com compartimentos ocultos para transporte dos produtos, além de estratégias para ocultar a origem dos lucros obtidos com o esquema.

De acordo com a Polícia Federal, os servidores investigados teriam colaborado com a organização ao fornecer informações sigilosas de sistemas policiais e até atuar diretamente no transporte das mercadorias, utilizando a função pública para facilitar as atividades ilegais.

Durante a operação, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, quatro prisões preventivas e uma medida de monitoramento eletrônico. Também foram determinadas medidas como o afastamento de dois servidores públicos, a suspensão do porte de arma de seis investigados e o bloqueio de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, que somam cerca de R$ 40 milhões.

Histórico

Não é a primeira vez que os dois policiais são citados em investigações. Célio Rodrigues Monteiro já figurou entre os investigados da operação Omertà, que apurava a atuação de milícias armadas, mas foi posteriormente inocentado pela Justiça.

Em março de 2024, ele também foi alvo de busca e apreensão na operação Snow, que investigava tráfico de cocaína com participação de agentes de segurança pública. Na ocasião, foi flagrado conversando com um suspeito em frente à delegacia onde trabalhava.

Já Edivaldo Quevedo da Fonseca foi preso em dezembro de 2024 pela Polícia Rodoviária Federal, em Sidrolândia, com um veículo carregado de mercadorias estrangeiras sem comprovação de importação regular. Em 2025, obteve liberdade, mas segue sob investigação e cumpre medidas como comparecimento periódico à Justiça Federal.

Conforme dados do Portal da Transparência, ambos recebem cerca de R$ 10 mil mensais como agentes de polícia judiciária.

Outro lado

Em nota, a Polícia Federal informou que a Justiça determinou o afastamento de dois investigados, sem confirmar se a medida atinge os policiais civis.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) informou que acompanha as investigações por meio das corregedorias e destacou que não compactua com desvios de conduta. Segundo a pasta, serão instaurados processos administrativos disciplinares para apuração dos fatos.

A defesa dos policiais informou que deve se manifestar após ter acesso ao conteúdo das acusações.

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